Criptorquidia: Risco de Malignidade e Manejo Pediátrico

Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2019

Enunciado

Com relação às afecções do trato geniturinário na infância, assinale a alternativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) A distopia testicular ou criptorquidia é a alteração de diferenciação sexual mais comum e ocorre em cerca de 3% dos bebês nascidos a termo.
  2. B) Testículos não descidos estão presentes em 10% — 20% dos recém nascidos com gastrósquise. 
  3. C) Os testículos distópicos intra-abdominais apresentam menor risco de desenvolvimento de tumores em relação aos testículos escrotais. 
  4. D) Até 30% dos recém-nascidos prematuros podem apresentar um testículo críptico. 

Pérola Clínica

Criptorquidia: testículos distópicos intra-abdominais têm MAIOR risco de malignidade que testículos escrotais.

Resumo-Chave

A criptorquidia é a alteração de diferenciação sexual mais comum em meninos. É crucial entender que testículos não descidos, especialmente os intra-abdominais, possuem um risco significativamente aumentado de desenvolver tumores malignos, exigindo acompanhamento e, frequentemente, intervenção cirúrgica.

Contexto Educacional

A criptorquidia, ou testículo não descido, é a anomalia congênita mais comum do trato geniturinário masculino, afetando cerca de 3% dos recém-nascidos a termo e até 30% dos prematuros. Sua importância clínica reside não apenas na infertilidade potencial, mas principalmente no risco aumentado de malignidade testicular e torção. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para minimizar essas complicações. A fisiopatologia envolve uma falha no processo de descida testicular, que normalmente ocorre no terceiro trimestre de gestação. A localização ectópica do testículo, seja inguinal ou intra-abdominal, expõe o tecido testicular a condições desfavoráveis, como temperatura elevada, que podem levar à disfunção das células de Sertoli e Leydig e à transformação maligna das células germinativas. A diferenciação entre testículo retrátil e criptorquídico é fundamental no exame físico. O tratamento primário para criptorquidia persistente após os 6 meses de idade é a orquidopexia cirúrgica, idealmente realizada entre 6 e 18 meses. Embora a cirurgia reduza o risco de infertilidade e facilite o exame para detecção de tumores, ela não elimina completamente o risco de malignidade, que permanece elevado em comparação com a população geral, especialmente para testículos que foram intra-abdominais. O acompanhamento a longo prazo é essencial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para criptorquidia?

Os principais fatores de risco incluem prematuridade, baixo peso ao nascer, síndromes genéticas e histórico familiar. A criptorquidia é mais comum em prematuros.

Por que a criptorquidia aumenta o risco de câncer testicular?

O aumento do risco de câncer testicular em casos de criptorquidia está relacionado à exposição prolongada do testículo a temperaturas mais elevadas no abdome ou canal inguinal, além de possíveis anomalias intrínsecas das células germinativas.

Qual a conduta inicial para um recém-nascido com criptorquidia?

A conduta inicial é o acompanhamento, pois muitos testículos descem espontaneamente nos primeiros meses de vida. Se não houver descida até os 6 meses (corrigida para idade gestacional), a orquidopexia é geralmente indicada entre 6 e 18 meses.

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