Criptorquidia: Diagnóstico e Orquidopexia Laparoscópica

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020

Enunciado

Criança, 01 ano e 6 meses de idade, sexo masculino, é trazida pela genitora ao Ambulatório do Serviço de Cirurgia Pediátrica por ausência do testículo direito na bolsa escrotal. A mãe nega outras comorbidades ou cirurgias. Criança nascida a termo e com peso adequado para a idade gestacional. Ao exame físico, eutrófica, testículo direito não palpável ao exame da bolsa escrotal e canal inguinal; testículo esquerdo tópico e com formato e volume adequados, ausência de alterações no pênis ou períneo; Diante do quadro descrito, tendo em vista que o testículo direito foi identificado o retroperitônio 8cm distante do anel inguinal interno direito, indique a melhor conduta terapêutica

Alternativas

Pérola Clínica

Criptorquidia unilateral > 1 ano + testículo intra-abdominal → Orquidopexia laparoscópica.

Resumo-Chave

A criança apresenta criptorquidia unilateral com testículo intra-abdominal não palpável, identificado no retroperitônio. A idade de 1 ano e 6 meses já ultrapassa o período de descida espontânea. A conduta de escolha é a orquidopexia, e devido à localização alta do testículo, a abordagem laparoscópica é a mais indicada.

Contexto Educacional

A criptorquidia, ou testículo não descido, é uma das anomalias congênitas mais comuns do trato geniturinário masculino, afetando cerca de 3-5% dos recém-nascidos a termo. A maioria dos testículos desce espontaneamente nos primeiros 6 meses de vida. Após essa idade, a descida espontânea é rara, e a condição é considerada patológica. A importância clínica reside no risco aumentado de infertilidade e malignidade testicular se não tratada. A fisiopatologia envolve uma falha no processo de descida testicular, que é complexo e multifatorial, envolvendo fatores hormonais, genéticos e mecânicos. O diagnóstico é primariamente clínico, através do exame físico cuidadoso da bolsa escrotal e do canal inguinal. Quando o testículo não é palpável, como no caso descrito, exames de imagem (ultrassonografia, ressonância magnética) podem ser úteis, mas a laparoscopia diagnóstica é frequentemente o padrão-ouro para localizar testículos intra-abdominais. A conduta terapêutica para criptorquidia não palpável em uma criança de 1 ano e 6 meses, com testículo identificado no retroperitônio, é a orquidopexia laparoscópica. Este procedimento permite a localização do testículo, sua mobilização e fixação na bolsa escrotal, minimizando os riscos de infertilidade e malignidade. Para residentes, é crucial entender a urgência da intervenção cirúrgica após os 6-12 meses de idade e as diferentes abordagens cirúrgicas dependendo da localização do testículo.

Perguntas Frequentes

Qual a idade ideal para a correção cirúrgica da criptorquidia?

A orquidopexia é idealmente realizada entre 6 e 18 meses de idade. A intervenção precoce visa preservar a função testicular e reduzir o risco de malignidade.

Quais são as complicações da criptorquidia não tratada?

As principais complicações incluem infertilidade (devido ao dano às células germinativas pela temperatura elevada), maior risco de malignidade testicular (seminoma), torção testicular e hérnia inguinal associada.

Quando a orquidopexia laparoscópica é a melhor opção para criptorquidia?

A abordagem laparoscópica é indicada para testículos não palpáveis que são intra-abdominais ou localizados muito proximais ao anel inguinal interno, permitindo a identificação, mobilização e fixação do testículo na bolsa escrotal.

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