Criptorquidia: Principais Complicações e Manejo Clínico

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020

Enunciado

Criança, 01 ano e 6 meses de idade, sexo masculino, é trazida pela genitora ao Ambulatório do Serviço de Cirurgia Pediátrica por ausência do testículo direito na bolsa escrotal. A mãe nega outras comorbidades ou cirurgias. Criança nascida a termo e com peso adequado para a idade gestacional. Ao exame físico, eutrófica, testículo direito não palpável ao exame da bolsa escrotal e canal inguinal; testículo esquerdo tópico e com formato e volume adequados, ausência de alterações no pênis ou períneo; Diante do quadro descrito, indique as duas principais complicações relacionadas ao diagnóstico.

Alternativas

Pérola Clínica

Criptorquidia → ↑ Risco de infertilidade e ↑ Risco de neoplasia testicular (Seminoma).

Resumo-Chave

A permanência do testículo fora da bolsa escrotal expõe as células germinativas a temperaturas corporais elevadas, levando à degeneração e risco de malignização.

Contexto Educacional

A criptorquidia é a malformação congênita mais comum do trato geniturinário masculino. O diagnóstico é clínico, baseado na palpação cuidadosa da bolsa escrotal e canal inguinal. Além da infertilidade e malignidade, outras complicações incluem a torção testicular (mais comum em testículos não descidos) e a hérnia inguinal associada (persistência do conduto peritônio-vaginal). O tratamento cirúrgico precoce visa mitigar esses riscos e garantir o desenvolvimento psicossocial adequado da criança.

Perguntas Frequentes

Quais são as duas principais complicações da criptorquidia?

As duas complicações mais significativas e frequentemente cobradas em provas são a infertilidade e o aumento do risco de neoplasia testicular. A infertilidade ocorre devido à exposição do testículo a temperaturas mais elevadas no canal inguinal ou abdome, o que prejudica a espermatogênese e causa atrofia das células germinativas. Já o risco de câncer de testículo (especialmente o seminoma) é significativamente maior em testículos criptorquídicos, mesmo após a correção cirúrgica, embora a orquidopexia precoce possa reduzir esse risco e facilitar o monitoramento.

Até que idade o testículo pode descer espontaneamente?

A maioria dos testículos que não estão na bolsa ao nascimento descem espontaneamente nos primeiros meses de vida. No entanto, se a descida não ocorrer até os 6 meses de idade (corrigida para prematuros), a probabilidade de descida espontânea posterior é mínima. Por isso, as diretrizes atuais recomendam que a avaliação por um cirurgião pediátrico e a intervenção cirúrgica (orquidopexia) sejam realizadas idealmente entre os 6 e 12 meses de vida para preservar a função testicular.

Qual a diferença entre criptorquidia e testículo retrátil?

O testículo retrátil é aquele que pode ser trazido manualmente para o fundo da bolsa escrotal e lá permanece sem tensão imediata, sendo uma variante da normalidade causada por um reflexo cremastérico hiperativo. Já na criptorquidia (testículo não descido), o testículo está permanentemente fora da bolsa e não pode ser manipulado para a posição correta de forma estável. É fundamental diferenciar ambos no exame físico, pois o testículo retrátil geralmente não requer cirurgia, apenas acompanhamento anual.

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