ENARE/ENAMED — Prova 2021
Paciente de 6 meses é levado à consulta de puericultura. Apresenta bom ganho de peso e desenvolvimento normal, em aleitamento exclusivo e com vacinação atualizada. Ao examinar o paciente, o pediatra nota que o seu testículo esquerdo não está na bolsa testicular. Assinale a alternativa correta em relação ao caso clínico.
Criptorquidia = testículo não descido; mais comum em prematuros, maioria desce espontaneamente no 1º ano de vida.
A criptorquidia é a ausência de um ou ambos os testículos na bolsa testicular. É mais comum em prematuros e, em muitos casos, ocorre a descida espontânea do testículo até o primeiro ano de vida. Após essa idade, a descida espontânea é improvável, e a intervenção cirúrgica deve ser considerada.
A criptorquidia, ou testículo não descido, é uma das anomalias congênitas mais comuns do trato geniturinário masculino, afetando cerca de 3-5% dos recém-nascidos a termo e até 30% dos prematuros. É definida pela ausência de um ou ambos os testículos na bolsa escrotal. A importância clínica reside nos riscos de infertilidade, malignidade testicular e hérnia inguinal associados à condição se não corrigida, impactando a saúde reprodutiva e oncológica futura do paciente. A maioria dos testículos criptorquídicos desce espontaneamente nos primeiros 3 a 6 meses de vida, e a descida espontânea é rara após os 6 meses. O diagnóstico é feito pelo exame físico cuidadoso, onde o testículo não é palpável no escroto. É crucial diferenciar a criptorquidia verdadeira do testículo retrátil, que é uma variação normal e não requer tratamento, apenas acompanhamento para garantir que o testículo permaneça no escroto. A conduta expectante é apropriada até os 6 meses de idade. Se o testículo não descer espontaneamente até os 6-12 meses, a orquidopexia (cirurgia para fixar o testículo no escroto) é recomendada, idealmente antes dos 18 meses. O tratamento precoce visa otimizar a função testicular, reduzir o risco de malignidade e facilitar o autoexame testicular futuro, melhorando o prognóstico a longo prazo.
A criptorquidia não tratada está associada a riscos aumentados de infertilidade (devido à temperatura elevada no abdome), malignidade testicular (tumor de células germinativas), torção testicular e hérnia inguinal, que frequentemente coexiste com a criptorquidia.
A orquidopexia é geralmente indicada se o testículo não descer espontaneamente até os 6-12 meses de idade, idealmente antes dos 18 meses, para preservar a fertilidade, reduzir o risco de malignidade e permitir o autoexame testicular futuro.
Na criptorquidia, o testículo não pode ser levado para o escroto ou, se levado, retrai imediatamente devido a um cordão espermático curto. No testículo retrátil, ele pode ser facilmente manipulado para o escroto e permanece ali sem tensão, devido a um reflexo cremastérico hiperativo, sendo uma condição benigna.
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