SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
O termo distopia testicular faz pensar que se sabe da existência do testículo, porém ele não se encontra em sua posição anatômica adequada (bolsa testicular). Dessa forma, ao examinar uma criança, recomenda-se que os testículos sejam classificados em palpáveis e impalpáveis. Um testículo palpável retido é aquele que:
Testículo palpável retido = Localizado no canal inguinal, não desce à bolsa com manobras.
O testículo palpável retido é aquele que interrompeu sua descida fisiológica ao longo do canal inguinal, diferenciando-se do testículo retrátil por não atingir a bolsa escrotal.
A distopia testicular engloba condições onde o testículo não se encontra na bolsa escrotal. A criptorquidia é a causa mais comum, resultando de uma falha na descida hormonal ou mecânica durante a vida fetal. O diagnóstico é eminentemente clínico. A diferenciação entre testículo palpável e impalpável dita a estratégia cirúrgica: testículos palpáveis são abordados via inguinal, enquanto impalpáveis frequentemente requerem laparoscopia diagnóstica e terapêutica. É vital orientar os pais sobre o risco aumentado de infertilidade e neoplasia testicular, ressaltando que a cirurgia posiciona o órgão para vigilância, mas não elimina totalmente os riscos inerentes à disgenesia gonadal.
O testículo retido (ou criptorquídico) é aquele que não completou sua descida anatômica normal para a bolsa escrotal e permanece em algum ponto do trajeto (geralmente no canal inguinal). Ele não pode ser levado à bolsa escrotal através de manobras físicas. Já o testículo retrátil é aquele que completou sua descida, mas se desloca para fora da bolsa devido a um reflexo cremastérico hiperativo. O testículo retrátil pode ser manipulado até o fundo da bolsa escrotal e lá permanece temporariamente após a liberação do reflexo. O testículo retrátil é considerado uma variante normal e não requer cirurgia, apenas acompanhamento, enquanto o retido exige orquidopexia.
O exame deve ser realizado em ambiente aquecido para minimizar o reflexo cremastérico. O examinador deve 'ordenhar' o canal inguinal desde a espinha ilíaca anterossuperior em direção ao escroto. Se o testículo for palpado no canal inguinal, tenta-se trazê-lo para a bolsa. Se ele não atingir a bolsa ou retornar imediatamente após a soltura, é classificado como retido. Se o testículo não for palpado em nenhuma posição, mesmo com manobras de Valsalva ou em posição de cócoras, é classificado como impalpável, o que pode indicar agenesia, atrofia ou localização intra-abdominal, exigindo investigação adicional, geralmente por laparoscopia.
A recomendação atual é que a orquidopexia seja realizada entre os 6 e 12 meses de idade. A descida espontânea do testículo é rara após os 6 meses de vida. A intervenção precoce é fundamental para preservar a função espermatogênica, reduzir o risco de torção testicular, facilitar o autoexame para detecção precoce de tumores (visto que o risco de câncer testicular é maior nesses pacientes) e corrigir hérnias inguinais associadas. Estudos histológicos mostram que a perda de células germinativas começa a ocorrer de forma significativa após o primeiro ano de vida em testículos não descendidos.
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