USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Em uma avaliação médica de rotina de puericultura, notou-se em menino 2 anos de idade ausência do testículo esquerdo na bolsa. Já ao nascer o pediatra orientou os pais que até os dois anos o testículo poderia descer espontaneamente. O paciente encontra se saudável e o exame físico geral não apresenta alterações. O testículo direito é tópico e normotrófico. Qual a próxima medida diagnóstica a ser tomada?
Criptorquidia em > 6 meses = risco de infertilidade/câncer; diferenciar de testículo retrátil antes de cirurgia.
Em crianças com testículo não palpável após 2 anos, a primeira medida é descartar um testículo retrátil, que não requer cirurgia. Exames de imagem têm valor limitado para testículos não palpáveis.
A criptorquidia, ou testículo não descido, é uma condição comum em meninos, caracterizada pela ausência de um ou ambos os testículos na bolsa escrotal. Embora a descida espontânea possa ocorrer até os 6 meses de idade, após esse período, a probabilidade de descida espontânea é baixa. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais devido aos riscos de infertilidade e malignidade testicular. Em uma criança de 2 anos com testículo não palpável, o primeiro passo é uma avaliação clínica cuidadosa para diferenciar a criptorquidia verdadeira de um testículo retrátil. O testículo retrátil é uma variante normal, onde o testículo pode ser facilmente manipulado para o escroto e permanece lá, não necessitando de intervenção cirúrgica. A palpação cuidadosa, com a criança em diferentes posições, é fundamental. Exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética têm valor limitado na localização de testículos não palpáveis, especialmente se forem intra-abdominais, e não devem atrasar a conduta. A orquidopexia é o tratamento definitivo para a criptorquidia verdadeira, geralmente realizada entre 6 e 18 meses de idade. A terapia hormonal com gonadotrofina coriônica tem eficácia limitada e não é a primeira linha de tratamento.
Na criptorquidia, o testículo está permanentemente fora da bolsa escrotal e não pode ser manipulado para dentro dela. No testículo retrátil, ele pode ser manual ou espontaneamente levado para o escroto e permanece lá temporariamente.
A orquidopexia é geralmente recomendada entre 6 e 18 meses de idade, idealmente antes dos 12 meses, para preservar a função testicular e reduzir riscos futuros.
Os principais riscos são infertilidade, maior chance de malignidade testicular (tumor de células germinativas), torção testicular e hérnia inguinal associada.
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