Criptorquidia: Idade Ideal para Orquidopexia e Complicações

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Ao examinar um recém-nascido de 36 semanas de idade gestacional, sexo masculino, peso 2.600 gramas com 24 horas de vida observa-se que a bolsa escrotal está vazia e não há hérnia inguinal associada. O prazo a ser aguardado para definir a conduta cirúrgica é

Alternativas

  1. A) um mês;
  2. B) seis meses;
  3. C) três meses;
  4. D) dezoito meses.

Pérola Clínica

Criptorquidia: aguardar até 6 meses para descida espontânea; após, indicar orquidopexia.

Resumo-Chave

A criptorquidia é a falha na descida do testículo para a bolsa escrotal. A maioria dos casos se resolve espontaneamente nos primeiros 3 a 6 meses de vida. Se o testículo não descer até os 6 meses, a orquidopexia é indicada para prevenir complicações futuras, como infertilidade e maior risco de malignidade.

Contexto Educacional

A criptorquidia, ou testículo não descido, é uma das anomalias congênitas mais comuns do trato geniturinário masculino, afetando cerca de 3-5% dos recém-nascidos a termo e até 30% dos prematuros. É definida pela ausência de um ou ambos os testículos na bolsa escrotal após o nascimento. A importância clínica reside no risco aumentado de infertilidade, malignidade testicular, torção e hérnia inguinal se não for corrigida. A maioria dos testículos criptorquídicos desce espontaneamente nos primeiros meses de vida, geralmente até os 3-6 meses. A fisiopatologia envolve uma falha no processo de descida testicular, que é complexo e influenciado por fatores hormonais, genéticos e mecânicos. O diagnóstico é primariamente clínico, através da palpação da bolsa escrotal e do canal inguinal. É crucial diferenciar um testículo criptorquídico de um testículo retrátil, que pode ser manualmente levado à bolsa escrotal. A conduta expectante é apropriada até os 6 meses de idade, período em que a descida espontânea ainda pode ocorrer. Se o testículo não descer espontaneamente até os 6 meses, a orquidopexia (fixação cirúrgica do testículo na bolsa escrotal) é indicada. A cirurgia deve ser realizada idealmente entre 6 e 12 meses de idade. A intervenção precoce visa preservar a função testicular (espermatogênese) e facilitar a detecção precoce de tumores testiculares no futuro, uma vez que o testículo na bolsa escrotal é mais facilmente palpável. O acompanhamento pós-operatório é importante para monitorar a posição do testículo e o desenvolvimento puberal.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais complicações da criptorquidia não tratada?

As principais complicações incluem infertilidade (devido à exposição prolongada do testículo a temperaturas mais elevadas), maior risco de desenvolvimento de tumores testiculares (seminomas), torção testicular e hérnias inguinais associadas.

Por que a orquidopexia é recomendada entre 6 e 12 meses de idade?

A intervenção cirúrgica nessa faixa etária é considerada ideal porque maximiza o potencial de desenvolvimento normal das células germinativas, minimizando o dano testicular induzido pela temperatura elevada, e reduz o risco de malignidade futura.

Como é feito o diagnóstico de criptorquidia?

O diagnóstico é feito principalmente pelo exame físico, onde o testículo não é palpável na bolsa escrotal. Em casos de testículo não palpável, exames de imagem como ultrassonografia podem ser úteis, mas a laparoscopia exploratória pode ser necessária para localizar testículos intra-abdominais.

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