Criptococose Meníngea em HIV: Manejo e Tratamento

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 34 anos, internado em contexto de primodiagnóstico de HIV devido à febre, cefaleia e sonolência. Evoluiu com rebaixamento do sensório, sendo intubado e encaminhado a tomografia seguido de punção liquórica que apresentou pressão de abertura de 27 e análise bioquímica do líquor revelou glicose de 40 mg/dL, celularidade de 35 cels/microL, proteinorraquia de 200 mg/dL, além de cultura positiva para Criptococcus neoformans. A respeito do manejo desse paciente, assinale a alternativa que apresenta as condutas corretas.

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento combinado de anfotericina B e fluconazol, além de punção liquórica frequente.
  2. B) Iniciar tratamento combinado de anfotericina B e fluconazol, além de início de terapia antirretroviral.
  3. C) Iniciar tratamento combinado de itraconazol e fluconazol, além de aciclovir e nova tomografia de crânio.
  4. D) Iniciar tratamento combinado de anfotericina B e voriconazol, além de terapia antirretroviral e punção liquórica frequente.

Pérola Clínica

Criptococose meníngea HIV com ↑ PIC → Anfotericina B + Fluconazol + PL terapêutica. TARV após estabilização.

Resumo-Chave

O tratamento inicial da criptococose meníngea em pacientes com HIV, especialmente com pressão intracraniana elevada, envolve anfotericina B e fluconazol. Punções liquóricas frequentes são essenciais para reduzir a pressão e prevenir complicações neurológicas. A TARV deve ser iniciada após estabilização da infecção fúngica, geralmente 2-4 semanas após o início do antifúngico, para evitar IRIS.

Contexto Educacional

A criptococose meníngea é uma infecção fúngica oportunista grave, especialmente comum em pacientes com HIV e imunossupressão avançada. É uma das principais causas de meningite em indivíduos com AIDS, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A identificação rápida e o manejo adequado são cruciais para a sobrevida e para prevenir sequelas neurológicas. O diagnóstico é feito pela cultura do líquor para Criptococcus neoformans, e a avaliação da pressão de abertura é fundamental. O tratamento inicial consiste em terapia antifúngica combinada, geralmente com anfotericina B e flucitosina ou fluconazol, visando a erradicação do fungo. O controle da pressão intracraniana elevada, por meio de punções liquóricas terapêuticas repetidas, é um pilar do manejo para evitar danos neurológicos. A terapia antirretroviral (TARV) deve ser iniciada após a fase de indução do tratamento antifúngico, tipicamente 2 a 4 semanas depois, para evitar a Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (IRIS), que pode piorar o quadro clínico. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico, da eficácia do tratamento antifúngico e do manejo das complicações, como a hipertensão intracraniana.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para criptococose meníngea em pacientes com HIV?

Sinais de alerta incluem cefaleia, febre, alteração do estado mental, náuseas, vômitos e rigidez de nuca. Em pacientes com HIV, a apresentação pode ser mais insidiosa e atípica.

Qual é o esquema de tratamento inicial recomendado para criptococose meníngea em HIV?

O esquema inicial é uma combinação de anfotericina B (desoxicolato ou lipossomal) e flucitosina, ou anfotericina B com fluconazol, seguido por fluconazol para consolidação e manutenção.

Por que a punção liquórica frequente é importante no manejo da criptococose meníngea?

Punções liquóricas frequentes são cruciais para monitorar e reduzir a pressão intracraniana elevada, que é uma das principais causas de morbidade e mortalidade na criptococose meníngea.

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