Manejo de Via Aérea Difícil no Trauma Facial Grave

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Homem, 45 anos, é admitido na sala de emergência, vítima de briga com trauma facial grave: múltiplas fraturas mandibulares, hematoma facial volumoso, sangramento profuso pela boca e obstrução parcial das vias aéreas superiores. Sat. O2 : 82% com máscara. Foram realizadas duas tentativas de intubação orotraqueal sem sucesso por visualização impossibilitada (edema e sangue); ventilação com máscara é ineficaz. A conduta mais apropriada para garantir via aérea definitiva é:

Alternativas

  1. A) Realizar mais tentativas de intubação orotraqueal guiadas por laringoscópio óptico.
  2. B) Tentar intubação nasotraqueal com fio-guia.
  3. C) Realizar cricotireoidostomia cirúrgica de emergência.
  4. D) Inserir dispositivo supraglótico (máscara laríngea) e aguardar melhoras.

Pérola Clínica

Não ventila + Não intuba no trauma facial → Cricotireoidostomia cirúrgica imediata.

Resumo-Chave

Em cenários de 'cannot intubate, cannot ventilate' (CICV), especialmente com distorção anatômica por trauma e sangramento, a via aérea cirúrgica é a única conduta segura.

Contexto Educacional

O manejo da via aérea no trauma segue o algoritmo rigoroso do ATLS. Diante de um trauma maxilofacial grave, a presença de sangue, hematomas e fraturas mandibulares impossibilita a visualização das cordas vocais e a progressão do tubo. Se a ventilação com máscara bolsa-válvula também falha (situação 'não ventilo, não intubo'), o tempo é crítico para evitar lesão cerebral hipóxica e parada cardiorrespiratória. A cricotireoidostomia cirúrgica permite o acesso infra-glótico imediato, contornando a obstrução superior e garantindo a oxigenação. É uma habilidade salvadora de vidas essencial para qualquer médico que atue em emergência e trauma, devendo ser executada sem hesitação quando os métodos não invasivos falham em um paciente com hipóxia progressiva.

Perguntas Frequentes

Por que não usar máscara laríngea neste caso de trauma facial?

Dispositivos supraglóticos como a máscara laríngea são frequentemente ineficazes em traumas faciais graves devido à presença de sangue, secreções e distorção anatômica da orofaringe. Além disso, eles não garantem uma via aérea definitiva contra aspiração em um paciente com estômago cheio e sangramento ativo, sendo apenas uma medida temporária que pode falhar na ventilação.

Qual a diferença entre cricotireoidostomia e traqueostomia na emergência?

A cricotireoidostomia é mais rápida, tecnicamente mais simples e realizada em um local mais superficial (membrana cricotireóidea), sendo a escolha absoluta na emergência. A traqueostomia é um procedimento mais demorado, com maior risco de sangramento, realizado em ambiente cirúrgico eletivo ou quando a cricotireoidostomia é contraindicada.

Quais as contraindicações da cricotireoidostomia cirúrgica?

A principal contraindicação absoluta é a idade (crianças menores de 8 a 10 anos), devido ao risco de estenose subglótica e laringomalácia, onde se prefere a cricotireoidostomia por punção. Outras contraindicações incluem trauma laríngeo direto com fratura de cartilagem cricoide ou transecção da traqueia.

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