SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2019
Um paciente de 50 anos de idade, vítima de atropelamento por veículo em alta velocidade, chega ao pronto-socorro trazido pelo Resgate, totalmente imobilizado, com colar cervical e prancha rígida, cerca de 50 minutos após o incidente. Tem grande quantidade de sangue na boca, de difícil aspiração com o aspirador rígido. O murmúrio vesicular está presente bilateralmente, auscultando-se muitos roncos difusos; saturação de O₂: 70%. Pulso: 120 bpm; PA: 100 × 60 mmHg. Glasgow: 8. Tem fratura exposta de maxilar e de mandíbula, com sangramento ativo. As tentativas de intubação traqueal não tiveram sucesso. Conduta na sala de trauma, após aspiração e oferta de O₂ a 100%:
Trauma facial grave + falha de intubação + hipóxia = Cricotireoidostomia cirúrgica imediata.
Em um paciente politraumatizado com trauma facial grave, sangramento ativo na via aérea, hipóxia severa e falha nas tentativas de intubação, a cricotireoidostomia cirúrgica é a conduta de escolha para estabelecer uma via aérea definitiva rapidamente e salvar a vida do paciente.
O manejo da via aérea é a prioridade máxima em pacientes politraumatizados, especialmente aqueles com trauma facial grave e rebaixamento do nível de consciência (Glasgow ≤ 8). A hipóxia é uma causa comum de morbimortalidade nesses pacientes, e a rápida obtenção de uma via aérea patente é crucial. Em cenários de trauma maxilofacial com sangramento ativo e distorção anatômica, a intubação orotraqueal pode ser extremamente difícil ou impossível. A falha de intubação, associada à hipóxia grave (SpO2 70%), exige uma intervenção imediata para estabelecer uma via aérea cirúrgica. A intubação com fibroscópio, embora útil em via aérea difícil eletiva, é contraindicada em emergências com sangramento ativo e hipóxia. A cricotireoidostomia cirúrgica é o procedimento de escolha nessas situações, pois é mais rápida e menos complexa de realizar na emergência do que uma traqueostomia. Ela permite o estabelecimento de uma via aérea definitiva e a ventilação do paciente, prevenindo danos cerebrais por hipóxia e estabilizando o quadro respiratório.
A cricotireoidostomia cirúrgica é indicada em casos de via aérea difícil ou falha de intubação orotraqueal, trauma maxilofacial grave com distorção anatômica, sangramento maciço na orofaringe, ou obstrução de via aérea superior, especialmente quando há hipóxia iminente.
A traqueostomia é um procedimento mais demorado e tecnicamente mais complexo do que a cricotireoidostomia cirúrgica, com maior risco de complicações na emergência. Em situações de urgência e hipóxia, a cricotireoidostomia oferece uma via aérea mais rápida e segura.
Tentativas repetidas de intubação em um cenário de trauma facial grave e sangramento podem agravar o edema, aumentar o sangramento, causar mais lesões e prolongar a hipóxia, piorando o prognóstico do paciente.
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