Acesso Cirúrgico da Via Aérea: Indicações e Riscos

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2023

Enunciado

No que diz respeito ao acesso cirúrgico das vias aéreas, é INCORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) A cânula de traqueostomia metálica não deve ser colocada logo após a realização de uma traqueostomia por obstrução tumoral laríngea.
  2. B) Devido ao risco de estenose subglótica, a cricotireoidostomia cirúrgica não é recomendada a crianças menores de 12 anos.
  3. C) Em geral, o diâmetro da cânula de traqueostomia deve ser três quartos do diâmetro traqueal. Via de regra, nas mulheres utiliza-se o tubo traqueal 6Fr e, nos homens, o 8Fr.
  4. D) No trauma, o acesso cirúrgico das vias aéreas deve ser considerado nas lesões maxilofaciais (fraturas mandibulares, Le Fort III com fratura mediofacial), nas queimaduras orais e na fratura de laringe.

Pérola Clínica

Cricotireoidostomia é contraindicada em crianças < 12 anos devido ao risco de estenose subglótica; traqueostomia é preferível.

Resumo-Chave

A cricotireoidostomia cirúrgica é um procedimento de emergência para acesso à via aérea, mas possui contraindicações relativas, especialmente em crianças menores de 12 anos, devido ao risco de lesão da cartilagem cricoide e consequente estenose subglótica. Nesses casos, a traqueostomia é geralmente a opção preferencial.

Contexto Educacional

O acesso cirúrgico das vias aéreas, seja por cricotireoidostomia ou traqueostomia, é um procedimento de salvamento em situações de emergência onde a intubação orotraqueal falhou ou é contraindicada. A cricotireoidostomia é mais rápida e simples, ideal para emergências agudas, enquanto a traqueostomia é geralmente reservada para acesso a longo prazo ou quando a cricotireoidostomia é contraindicada. A compreensão das indicações, técnicas e riscos é vital para qualquer médico que atue em emergências. A cricotireoidostomia envolve a incisão da membrana cricotireoidea para inserir uma cânula diretamente na traqueia. Embora seja um procedimento rápido, o risco de estenose subglótica é uma preocupação, especialmente em crianças, devido à anatomia da cartilagem cricoide. A traqueostomia, por sua vez, envolve a criação de uma abertura na traqueia abaixo da cartilagem cricoide, sendo mais complexa, mas com menor risco de estenose subglótica. As indicações incluem trauma maxilofacial extenso, queimaduras graves de via aérea, fratura de laringe e obstrução tumoral. É crucial diferenciar as situações em que cada técnica é mais apropriada. Em crianças menores de 12 anos, a traqueostomia é preferível à cricotireoidostomia devido à imaturidade da cartilagem cricoide e ao alto risco de estenose. A escolha do diâmetro da cânula de traqueostomia deve ser cuidadosa para evitar trauma traqueal e garantir uma via aérea eficaz. O manejo pós-operatório e o acompanhamento são essenciais para prevenir complicações como infecção, sangramento e estenose.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para um acesso cirúrgico de emergência das vias aéreas?

As principais indicações incluem falha na intubação orotraqueal, obstrução da via aérea superior por trauma (maxilofacial, fratura de laringe), edema (queimaduras orais, anafilaxia grave) ou corpo estranho, e incapacidade de ventilar o paciente por outros meios.

Por que a cricotireoidostomia cirúrgica é desaconselhada em crianças menores de 12 anos?

Em crianças menores de 12 anos, a cartilagem cricoide é mais estreita e menos desenvolvida, sendo a parte mais vulnerável da via aérea. A cricotireoidostomia pode causar lesão significativa da cartilagem cricoide, levando a complicações como estenose subglótica, que é de difícil tratamento e pode exigir múltiplas cirurgias.

Qual o diâmetro ideal da cânula de traqueostomia em adultos?

Em geral, o diâmetro da cânula de traqueostomia deve ser aproximadamente três quartos do diâmetro traqueal. Via de regra, em mulheres adultas, utiliza-se cânulas de 6Fr a 7Fr, e em homens adultos, cânulas de 7Fr a 8Fr, para garantir ventilação adequada e minimizar trauma.

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