HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2024
Um motociclista de 26 anos sofreu um acidente automobilístico, chocando-se com um poste elétrico. Ele estava sem capacete e apresentava lesões maxilofaciais com fraturas e sangramento ativo. Foi levado ao Pronto-socorro e, na admissão, apresentava PA = 160x84mmHg, FC = 92bpm e FR = 29irpm. Ele está agitado, não cooperativo, com dificuldade respiratória e deformidade anatômica importante. A MELHOR conduta para garantir via aérea pérvia desse paciente é realizar a:
Trauma maxilofacial grave com via aérea comprometida e IOT falha → Cricotireoidostomia cirúrgica é a conduta de escolha.
Em pacientes com trauma maxilofacial grave, sangramento ativo e dificuldade respiratória, a intubação orotraqueal pode ser impossível ou contraindicada. Nesses casos, a cricotireoidostomia cirúrgica é o procedimento de emergência preferencial para estabelecer uma via aérea definitiva e segura, sendo mais rápida e menos complexa que a traqueostomia em ambiente agudo.
O manejo da via aérea é a prioridade máxima no atendimento ao paciente traumatizado, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support). Em casos de trauma maxilofacial grave, como o descrito, a garantia de uma via aérea pérvia pode ser extremamente desafiadora devido a fraturas, sangramento, edema e deformidades anatômicas. A intubação orotraqueal (IOT), embora seja a técnica preferencial para via aérea definitiva, pode ser impossível ou contraindicada nessas circunstâncias, exigindo uma alternativa rápida e eficaz. Quando a IOT falha ou é inviável, a cricotireoidostomia cirúrgica emerge como a melhor conduta de emergência. Este procedimento envolve a criação de uma abertura na membrana cricotireoidea para inserção de um tubo, estabelecendo uma via aérea segura abaixo do nível da obstrução ou lesão. É uma técnica relativamente rápida e com menor morbidade em comparação com a traqueostomia de emergência, que é mais complexa e demorada, geralmente reservada para situações onde a cricotireoidostomia é contraindicada ou para manejo a longo prazo. É fundamental que o residente reconheça os sinais de via aérea comprometida e domine o algoritmo de manejo da via aérea difícil em trauma. A decisão de realizar uma cricotireoidostomia deve ser tomada precocemente para evitar hipóxia e suas consequências devastadoras, garantindo a oxigenação e ventilação adequadas do paciente gravemente traumatizado.
Sinais de comprometimento da via aérea em trauma maxilofacial incluem dificuldade respiratória, estridor, rouquidão, sangramento ativo na orofaringe, deformidade anatômica importante, crepitação facial, e agitação ou rebaixamento do nível de consciência. A avaliação rápida é crucial.
A cricotireoidostomia cirúrgica é preferível em emergências de via aérea porque é um procedimento mais rápido, tecnicamente menos complexo e com menor risco de sangramento e lesão de estruturas adjacentes do que a traqueostomia. Ela é realizada através da membrana cricotireoidea, que é superficial e facilmente palpável.
A intubação orotraqueal pode ser contraindicada ou inviável em trauma maxilofacial devido a deformidades anatômicas graves, fraturas instáveis da face, sangramento volumoso que impede a visualização das cordas vocais, edema significativo das vias aéreas superiores ou incapacidade de abrir a boca (trismo).
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