Epibléfaro na Infância: Diagnóstico e Técnica de Hotz

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Criança de quatro anos com irritação ocular crônica bilateral desde o nascimento. Ao examinar, percebe-se que os cílios nascem de forma ordenada na lamela anterior, entretanto são deslocados contra o globo por uma dobra de pele no canto medial. Apesar dos cílios tocarem a córnea pela sua convexidade, observa-se ceratite com formação de finos neovasos. Já utilizou diversos colírios e pomadas sem melhora. Trata-se de um caso de:

Alternativas

  1. A) Distiquíase congênita, e o tratamento é a crioterapia da lamela posterior.
  2. B) Entrópio congênito, e a melhor conduta seria realizar procedimento de tarsal strip associado à técnica de jones.
  3. C) Epibléfaro, e está indicado o procedimento de Hotz.
  4. D) Triquíase congênita, e pode ser realizado a destruição dos folículos pilosos com aplicação de laser de CO2.

Pérola Clínica

Dobra cutânea horizontal + cílios tocando a córnea em crianças → Epibléfaro (Tratamento: Hotz).

Resumo-Chave

O epibléfaro é uma anomalia palpebral comum onde uma prega cutânea empurra os cílios contra o globo. Diferencia-se do entrópio pois a margem palpebral está na posição correta. O tratamento cirúrgico (Hotz) é indicado se houver lesão corneana.

Contexto Educacional

O epibléfaro é uma condição oftalmológica frequente, especialmente em populações de ascendência asiática. Caracteriza-se por uma dobra de pele redundante que causa o contato dos cílios com a córnea, principalmente no olhar para baixo. Embora muitas vezes assintomático, o atrito crônico pode levar a ceratite puntata superficial e, em casos graves, formação de pannus e cicatrizes corneanas. O diagnóstico é clínico, baseado na inspeção da dinâmica palpebral. O tratamento conservador com colírios lubrificantes é a primeira linha. No entanto, em crianças com ceratite persistente ou neovascularização, como descrito no caso, a intervenção cirúrgica através da técnica de Hotz é eficaz e apresenta excelentes resultados estéticos e funcionais.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre epibléfaro e entrópio congênito?

No epibléfaro, existe uma prega redundante de pele e músculo orbicular que corre horizontalmente ao longo da margem palpebral (geralmente inferior), empurrando os cílios verticalmente contra a córnea, mas a margem palpebral em si está em posição anatômica correta. No entrópio congênito, toda a margem palpebral está invertida para dentro, geralmente devido a uma desinserção ou disfunção dos retratores da pálpebra.

Quando o tratamento cirúrgico é indicado no epibléfaro?

A maioria dos casos de epibléfaro resolve-se espontaneamente com o crescimento da face e da ponte nasal. A cirurgia é indicada quando há persistência de sintomas (irritação, lacrimejamento, fotofobia) associada a sinais de ceratite (erosões epiteliais, neovasos corneanos) que não respondem ao tratamento conservador com lubrificantes.

Como é realizado o procedimento de Hotz?

O procedimento de Hotz (ou Hotz-Celsus modificado) consiste na excisão de uma elipse estreita de pele e músculo orbicular pré-tarsal logo abaixo da linha de cílios. A sutura subsequente aproxima a pele ao tarso, criando uma eversão da prega cutânea e redirecionando os cílios para longe da superfície ocular.

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