Nevo de Ota: Riscos de Glaucoma e Melanoma Uveal

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020

Enunciado

Criança nasceu com hiperpigmentação enegrecida e azulada da pele periocular à direita acometendo o supercílio e as pálpebras superior e inferior, além de manchas azuladas na esclera, sem afinamento ou buftalmo. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Tratamento com cremes despigmentantes à base de hidroquinona apresentam excelente resposta, uma vez que a pigmentação está na epiderme.
  2. B) Ressonância magnética de crânio e ultrassonografia ocular são exames subsidiários aplicáveis, pela associação com hemangioma difuso de retina e hemangiomas meníngeos.
  3. C) Não requer acompanhamento, pois se trata de condição benigna com resolução espontânea.
  4. D) Acompanhamento oftalmológico é recomendado devido ao maior risco de desenvolvimento de glaucoma e melanoma.

Pérola Clínica

Nevo de Ota = Hiperpigmentação periocular + escleral → Risco ↑ de Glaucoma e Melanoma Uveal.

Resumo-Chave

O Nevo de Ota (melanocitose oculodérmica) exige vigilância oftalmológica vitalícia devido ao risco aumentado de glaucoma por infiltração melanocítica do ângulo e melanoma uveal.

Contexto Educacional

O Nevo de Ota é uma facomatose pigmentar que exige uma abordagem multidisciplinar entre dermatologia e oftalmologia. Enquanto a dermatologia foca no tratamento estético (geralmente com lasers de Q-switched ou Picosegundo, já que a pigmentação é dérmica e não epidérmica), a oftalmologia desempenha o papel vital de rastreio de complicações graves. A fisiopatologia envolve a migração interrompida de melanócitos da crista neural para a epiderme. O acúmulo dessas células na derme e no trato uveal predispõe a alterações estruturais no ângulo da câmara anterior e instabilidade genômica que pode levar à malignização. O diagnóstico é clínico, mas a vigilância é tecnológica.

Perguntas Frequentes

O que é o Nevo de Ota e como ele se manifesta?

O Nevo de Ota, ou melanocitose oculodérmica, é uma condição congênita caracterizada pelo aumento de melanócitos na derme e nos tecidos oculares. Manifesta-se clinicamente como uma hiperpigmentação azulada ou acinzentada na região inervada pelos ramos oftálmico e maxilar do nervo trigêmeo (V1 e V2), afetando pálpebras, supercílios e região malar. Ocularmente, observa-se pigmentação episcleral azulada focal ou difusa. Diferente das manchas mongólicas, o Nevo de Ota não regride com o tempo e pode escurecer na puberdade. É mais comum em populações asiáticas e africanas, mas o risco de transformação maligna é proporcionalmente maior em caucasianos.

Qual a relação entre Nevo de Ota e Glaucoma?

A incidência de glaucoma em pacientes com Nevo de Ota é significativamente maior do que na população geral, ocorrendo em cerca de 10% dos casos. O mecanismo principal é o aumento da resistência ao escoamento do humor aquoso devido à presença de melanócitos e excesso de pigmento trabecular que obstrui a malha trabecular. O glaucoma costuma ser unilateral, ocorrendo no olho ipsilateral à pigmentação cutânea. O acompanhamento deve incluir tonometria regular e avaliação do disco óptico, pois o aumento da pressão intraocular pode ser insidioso e levar à perda visual permanente se não detectado precocemente.

Por que o risco de melanoma é preocupante nesta condição?

Pacientes com melanocitose oculodérmica possuem um risco aumentado de desenvolver melanoma uveal (coroide, corpo ciliar ou íris), bem como melanomas orbitários e meníngeos. Isso ocorre porque há uma densidade maior de melanócitos melanóticos em todo o trato uveal e tecidos adjacentes. Estima-se que o risco de melanoma uveal seja aproximadamente 1 em 400 nesses pacientes. Por essa razão, exames de fundo de olho dilatado e, se necessário, ultrassonografia ocular devem ser realizados anualmente para rastrear lesões suspeitas. A detecção precoce de um melanoma de coroide é crucial para a preservação do globo ocular e da vida do paciente.

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