Sarampo em Crianças: Diagnóstico e Notificação Compulsória

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2020

Enunciado

Criança indígena venezuelana de 4 anos de idade é trazida ao atendimento médico em uma UPA acompanhada pelos pais que não falam bem o português e por uma servidora pública designada para os acompanhar e ajudar na comunicação; a criança está doente há aproximados 4 dias com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, que inicialmente foi atribuída como possível resfriado comum ou síndrome gripal e estava recebendo medicações sintomáticas; iniciou hoje exantema avermelhado morbiliforme início em região retro-occipital que está progredindo no sentido céfalocaudal, presença de enantema característico na mucosa oral. Pelo fato de estarem recém-chegados à Belém procedentes de seu País de origem, receberam vacinação tríplice viral há 4 dias, no mesmo dia, decorridas 2 horas iniciaram os sintomas da criança. Assinale a resposta correta quanto à conduta imediata neste caso:

Alternativas

  1. A) Notificar como efeito adverso da vacina.
  2. B) Não deve notificar, é efeito esperado da vacina.
  3. C) Notificar e tomar providências como caso suspeito de sarampo.
  4. D) Pedir inicialmente exames para investigar viroses exantemáticas ou reação alérgica.

Pérola Clínica

Criança com febre, tosse, coriza, conjuntivite + exantema morbiliforme céfalocaudal + enantema oral → Sarampo suspeito.

Resumo-Chave

Apesar da vacinação recente com tríplice viral, o quadro clínico clássico de sarampo (febre, tosse, coriza, conjuntivite, exantema morbiliforme céfalocaudal e enantema oral) em uma criança recém-chegada de outro país, com alta circulação viral, deve levantar forte suspeita de sarampo. Os sintomas da vacina geralmente são mais leves e não tão completos. A notificação é compulsória.

Contexto Educacional

O sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, altamente contagiosa, causada por um RNA vírus da família Paramyxoviridae. Apesar da existência de uma vacina eficaz (tríplice viral), surtos ainda ocorrem, especialmente em populações não vacinadas ou com baixa cobertura vacinal, e em contextos de migração. O diagnóstico precoce é fundamental para o controle epidemiológico. O quadro clínico clássico inclui um período prodrômico de 3-5 dias com febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguido pelo surgimento das manchas de Koplik (enantema patognomônico) na mucosa oral. Posteriormente, surge um exantema maculopapular morbiliforme, que se inicia na região retroauricular e face, progredindo no sentido céfalo-caudal e centrífugo. A vacinação recente não exclui o diagnóstico, especialmente se o quadro for exuberante e o paciente vier de área de risco. A conduta imediata diante de um caso suspeito de sarampo é a notificação compulsória às autoridades de saúde, coleta de amostras para confirmação laboratorial (sorologia IgM e PCR viral) e isolamento do paciente para evitar a transmissão. O tratamento é de suporte, e a prevenção é feita pela vacinação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos do sarampo?

O sarampo é caracterizado por febre alta, tosse, coriza, conjuntivite (pródromos), seguidos pelo aparecimento de manchas de Koplik na mucosa oral e, posteriormente, um exantema maculopapular morbiliforme que se inicia na face e progride céfalo-caudalmente.

Como diferenciar sarampo de reação vacinal à tríplice viral?

As reações vacinais à tríplice viral são geralmente mais brandas, com febre baixa e exantema discreto, sem a tríade clássica de tosse, coriza e conjuntivite tão pronunciada, e sem as manchas de Koplik. O sarampo selvagem apresenta um quadro clínico mais grave e completo.

Por que a notificação de sarampo é tão importante?

A notificação de sarampo é compulsória e crucial para a vigilância epidemiológica, permitindo a rápida investigação do caso, bloqueio vacinal e outras medidas de controle para evitar a disseminação da doença, que é altamente contagiosa.

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