UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Menina, 2 anos de idade, hígida, foi exposta ao HIV durante a gestação, mas não está infectada. Sua mãe foi diagnosticada com HIV antes da gravidez e fez uso regular de terapia antirretroviral durante toda a gestação e após o parto. A menina nasceu a termo, com peso adequado à idade gestacional e sem complicações neonatais. Quais cuidados em longo prazo são mais importantes ao considerar o acompanhamento da menina em comparação com uma criança que não foi exposta ao HIV ou a antirretrovirais durante a gestação?
Crianças expostas ao HIV (não infectadas) exigem vigilância rigorosa do desenvolvimento neuropsicomotor.
Crianças expostas ao HIV mas não infectadas (HEU) apresentam riscos aumentados de atrasos no desenvolvimento e maior vulnerabilidade infecciosa devido a fatores biológicos e sociais.
O sucesso da profilaxia da transmissão vertical criou uma vasta população de crianças HEU. Embora livres do vírus, a exposição ao ambiente inflamatório uterino e aos ARVs (como análogos de nucleosídeos) pode impactar a saúde a longo prazo. O acompanhamento deve focar na detecção precoce de déficits cognitivos e motores, garantindo intervenções oportunas para otimizar o potencial de aprendizado e crescimento dessas crianças.
HEU (HIV-Exposed Uninfected) refere-se a crianças nascidas de mães vivendo com HIV que, apesar da exposição intrauterina ao vírus e aos medicamentos antirretrovirais (ARV), não contraíram a infecção. Elas formam um grupo crescente que requer protocolos específicos de acompanhamento pediátrico devido a vulnerabilidades biológicas distintas.
Estudos indicam que crianças HEU têm maior risco de atrasos na linguagem, habilidades motoras e cognitivas. Isso pode decorrer da toxicidade mitocondrial dos ARVs, inflamação crônica materna durante a gestação ou fatores socioeconômicos adversos frequentemente associados ao contexto da infecção materna pelo HIV.
Além dos atrasos no desenvolvimento, essas crianças apresentam maiores taxas de hospitalização por infecções respiratórias e gastrointestinais, alterações hematológicas transitórias (como anemia e neutropenia) e possíveis alterações no crescimento pôndero-estatural, exigindo um olhar multidisciplinar contínuo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo