HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2022
Criança de 5 anos evoluiu com placas pruriginosas pelo corpo e edema de lábios após ingestão de camarão. Ao dar entrada no pronto-socorro encontra-se taquipneica, com sibilância difusa à ausculta pulmonar e hipotensa. A primeira medida terapêutica a ser tomada será:
Anafilaxia com hipotensão e sibilância → Adrenalina intramuscular é a primeira e mais importante medida terapêutica.
A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave e potencialmente fatal, caracterizada por rápida progressão de sintomas que afetam múltiplos sistemas, como pele, respiratório, cardiovascular e gastrointestinal. A presença de hipotensão e sibilância indica gravidade, e a administração imediata de adrenalina intramuscular é crucial para reverter a fisiopatologia do choque e broncoespasmo.
A anafilaxia é uma emergência médica grave que exige reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir desfechos fatais. É uma reação de hipersensibilidade sistêmica, que pode ser desencadeada por diversos alérgenos, como alimentos (camarão, amendoim), medicamentos ou picadas de insetos. A rápida progressão dos sintomas, que podem incluir urticária, angioedema, broncoespasmo, hipotensão e choque, torna crucial a intervenção precoce. Para residentes, a capacidade de identificar e manejar a anafilaxia é uma habilidade fundamental. A fisiopatologia da anafilaxia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios (histamina, leucotrienos, triptase) por mastócitos e basófilos, resultando em vasodilatação sistêmica, aumento da permeabilidade vascular, broncoespasmo e espasmo da musculatura lisa gastrointestinal. A hipotensão e a sibilância, como no caso da criança, são sinais de comprometimento cardiovascular e respiratório, indicando uma reação grave que pode evoluir rapidamente para choque anafilático. A conduta inicial e mais importante na anafilaxia é a administração de adrenalina (epinefrina) por via intramuscular. A adrenalina atua como um potente vasoconstritor, elevando a pressão arterial, e como broncodilatador, aliviando o desconforto respiratório. Outras medidas, como hidratação venosa, oxigenoterapia, anti-histamínicos e corticoides, são importantes adjuvantes, mas não substituem a adrenalina. O atraso na administração da adrenalina é o principal fator associado a desfechos desfavoráveis, reforçando a necessidade de uma ação rápida e decisiva.
O diagnóstico de anafilaxia é clínico e baseia-se na ocorrência aguda de sintomas que afetam a pele/mucosas (urticária, angioedema), sistema respiratório (dispneia, sibilância), cardiovascular (hipotensão, síncope) ou gastrointestinal (vômitos, diarreia), após exposição a um alérgeno conhecido ou provável. A presença de hipotensão ou comprometimento respiratório indica gravidade.
A dose recomendada de adrenalina (epinefrina) intramuscular em crianças é de 0,01 mg/kg de uma solução 1:1000, com dose máxima de 0,5 mg. A via intramuscular na face anterolateral da coxa é preferencial devido à rápida absorção e segurança. A dose pode ser repetida a cada 5 a 15 minutos, se necessário.
A adrenalina é o tratamento de primeira linha porque atua rapidamente como agonista alfa e beta-adrenérgico, revertendo os principais efeitos da anafilaxia: causa vasoconstrição (aumentando a pressão arterial e reduzindo o edema), broncodilatação (melhorando a respiração) e inibe a liberação de mediadores inflamatórios. Anti-histamínicos e corticoides são adjuvantes, mas não tratam o choque ou o broncoespasmo agudo.
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