Difteria: Diagnóstico Clínico e Agente Etiológico

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026

Enunciado

Criança de 4 anos, com vacinação atrasada, apresenta dor e edema no pescoço, febre alta, disfagia e toxemia. Não recebeu reforço de dTp. Qual é o agente etiológico mais provável?

Alternativas

  1. A) Streptococcus pyogenes.
  2. B) Haemophilus influenzae tipo b.
  3. C) Staphylococcus aureus.
  4. D) Corynebacterium diphtheriae.

Pérola Clínica

Febre + Toxemia + Placas aderentes + Pescoço de touro = Difteria (C. diphtheriae).

Resumo-Chave

A difteria é uma doença infectocontagiosa causada pela toxina do Corynebacterium diphtheriae, caracterizada por membranas acinzentadas firmes na orofaringe e edema cervical intenso (pescoço de touro).

Contexto Educacional

A difteria é uma doença imunoprevenível que reemerge em cenários de baixa cobertura vacinal. O agente, Corynebacterium diphtheriae, é um bacilo gram-positivo que produz uma potente exotoxina responsável pela necrose tecidual e formação da pseudomembrana característica. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias ou contato direto com lesões cutâneas. O quadro clínico clássico envolve uma faringoamigdalite com membranas que se estendem além das amígdalas, acompanhada de prostração intensa e o 'pescoço de touro' devido ao enfartamento ganglionar e edema periganglionar. O reconhecimento rápido é vital para a administração do soro antidiftérico, pois a toxina ligada aos tecidos não é mais neutralizada pelo soro. O manejo envolve suporte intensivo, monitorização cardíaca e vigilância neurológica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais patognomônicos da difteria?

Embora não haja um único sinal patognomônico absoluto, a tríade de placas pseudomembranosas acinzentadas e aderentes na orofaringe (que sangram ao tentar remover), edema periganglionar cervical intenso (conhecido como 'pescoço de touro') e um estado de toxemia profunda é altamente sugestiva de difteria. A história de vacinação incompleta ou ausência de reforço da dTp/DTP aumenta drasticamente a suspeição clínica em casos de faringite grave com disfagia e febre alta.

Como é feito o tratamento da difteria?

O tratamento deve ser iniciado imediatamente após a suspeita clínica, sem aguardar confirmação laboratorial, devido à gravidade da toxina. Consiste na administração do Soro Antidiftérico (SAD) para neutralizar a toxina circulante e antibioticoterapia (geralmente Penicilina G Cristalina ou Eritromicina) para eliminar o Corynebacterium diphtheriae e interromper a transmissão. O isolamento respiratório é obrigatório até que duas culturas de orofaringe sejam negativas.

Quais as principais complicações da toxina diftérica?

A toxina diftérica atua sistemicamente, podendo causar miocardite grave (com arritmias e insuficiência cardíaca), neurites (paralisia do véu do paladar, nervos oculares e até paralisia respiratória) e tubulopatia renal. A miocardite é a causa mais comum de óbito tardio na doença. Localmente, a principal complicação é a obstrução das vias aéreas superiores pelas membranas e pelo edema cervical, podendo exigir traqueostomia de emergência.

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