Bloqueio Vacinal e Profilaxia Pós-Exposição no Sarampo

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026

Enunciado

Criança de 3 anos, masculino, apresentou febre de 38,5°C há 1 dia, tosse seca (inicialmente), coriza, conjuntivite não purulenta, com pequenos pontos brancos na boca na altura do último molar, com exantema que surgiu atrás das orelhas, no rosto e se espalhou pelo corpo. Foi à UPA, onde foi feita a suspeita de sarampo. Frequentou a Creche Municipal até o dia anterior ao início dos sintomas. Esta Creche atende crianças de 3 meses a 6 anos de idade e fica em um bairro com grande densidade populacional. A mãe refere que tem outra filha de 7 anos, que está em tratamento de leucemia linfoide aguda. Qual é a ação de vacinação, de acordo com a recomendação do Ministério da Saúde, no domicílio desta criança e na creche para interromper a circulação do vírus e controlar da transmissão do sarampo?

Alternativas

  1. A) Deve ser realizada a vacinação por varredura, em até 48 horas, em todos os indivíduos suscetíveis maiores de seis meses e que residem nos quarteirões próximos da creche e nos quarteirões próximos do domicílio do caso suspeito (exceto nas contraindicações a aplicação da vacina, como a irmã de 7 anos com Leucemia que deve receber a Imunoglobulina humana inespecífica).
  2. B) Deve ser realizada a vacinação de bloqueio com a Vacina Tríplice Viral (SCR), preferencialmente no prazo máximo de até 72 horas, para as crianças suscetíveis de 3 a 6 meses e gestantes (exceto nos indivíduos com contraindicações a aplicação da vacina).
  3. C) Deve ser realizada a vacinação de bloqueio, em até 72 horas, em todos os indivíduos suscetíveis", que tiveram contato com o caso suspeito, a partir dos 6 meses de idade, sem limite de idade com a Vacina Tríplice Viral (SCR) (exceto nas contraindicações a aplicação da vacina, como a irmã de 7 anos com Leucemia que deve receber a Imunoglobulina humana específica).
  4. D) Deve ser realizada a vacinação por varredura com a Vacina Tríplice Viral (SCR), no prazo máximo de até 48 horas, em todos os indivíduos suscetíveis de 3 meses até nove meses que frequentam as creches no bairro do caso suspeito bem como no seu domicílio (exceto nos indivíduos com contraindicações a aplicação da vacina).

Pérola Clínica

Bloqueio sarampo → Vacina até 72h (contatos >6 meses); Imunocomprometidos → Imunoglobulina específica.

Resumo-Chave

A contenção de surtos de sarampo exige vacinação seletiva de bloqueio em contatos suscetíveis em até 72 horas e imunização passiva para aqueles com contraindicação à vacina de vírus vivos.

Contexto Educacional

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas, com transmissão aérea por aerossóis. O período de transmissibilidade ocorre de 5 dias antes a 5 dias após o surgimento do exantema. O Ministério da Saúde preconiza a notificação compulsória imediata. Em ambientes de alta densidade, como creches, o bloqueio deve ser rigoroso. A distinção entre vacinação de bloqueio (focada nos contatos) e varredura (indiscriminada em uma área) é importante para a gestão de saúde pública. A proteção da irmã imunocomprometida com imunoglobulina específica é crítica, pois o sarampo nesses pacientes pode ser fatal.

Perguntas Frequentes

Como funciona a vacinação de bloqueio no sarampo?

A vacinação de bloqueio deve ser realizada diante de um caso suspeito de sarampo para interromper a cadeia de transmissão. Deve ser feita em até 72 horas após o contato, abrangendo todos os contatos suscetíveis (sem comprovação vacinal) a partir dos 6 meses de idade. Para crianças de 6 meses a 11 meses vacinadas durante o bloqueio, essa dose é considerada 'dose zero', não contando para o calendário de rotina.

Quem deve receber imunoglobulina em vez da vacina?

A imunoglobulina é indicada para contatos suscetíveis com alto risco de complicações e que possuem contraindicação à vacina de vírus vivo (Tríplice Viral). Isso inclui: gestantes suscetíveis, imunocomprometidos (como pacientes com leucemia ou HIV com CD4 baixo) e lactentes menores de 6 meses expostos. O ideal é que seja administrada em até 6 dias após a exposição.

Quais os sinais patognomônicos do sarampo?

O sinal patognomônico são as Manchas de Koplik: pequenos pontos brancos com halo eritematoso na mucosa bucal, geralmente na altura dos molares, que surgem no período prodrômico. Clinicamente, o sarampo se apresenta com febre alta, tosse produtiva, coriza, conjuntivite com fotofobia e um exantema maculopapular morbiliforme de progressão cefalocaudal que descama finamente.

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