FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Criança de 3 anos, masculino, apresentou febre de 38,5°C há 1 dia, tosse seca (inicialmente), coriza, conjuntivite não purulenta, com pequenos pontos brancos na boca na altura do último molar, com exantema que surgiu atrás das orelhas, no rosto e se espalhou pelo corpo. Foi à UPA, onde foi feita a suspeita de sarampo. Frequentou a Creche Municipal até o dia anterior ao início dos sintomas. Esta Creche atende crianças de 3 meses a 6 anos de idade e fica em um bairro com grande densidade populacional. A mãe refere que tem outra filha de 7 anos, que está em tratamento de leucemia linfoide aguda. Qual é a ação de vacinação, de acordo com a recomendação do Ministério da Saúde, no domicílio desta criança e na creche para interromper a circulação do vírus e controlar da transmissão do sarampo?
Bloqueio sarampo → Vacina até 72h (contatos >6 meses); Imunocomprometidos → Imunoglobulina específica.
A contenção de surtos de sarampo exige vacinação seletiva de bloqueio em contatos suscetíveis em até 72 horas e imunização passiva para aqueles com contraindicação à vacina de vírus vivos.
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas, com transmissão aérea por aerossóis. O período de transmissibilidade ocorre de 5 dias antes a 5 dias após o surgimento do exantema. O Ministério da Saúde preconiza a notificação compulsória imediata. Em ambientes de alta densidade, como creches, o bloqueio deve ser rigoroso. A distinção entre vacinação de bloqueio (focada nos contatos) e varredura (indiscriminada em uma área) é importante para a gestão de saúde pública. A proteção da irmã imunocomprometida com imunoglobulina específica é crítica, pois o sarampo nesses pacientes pode ser fatal.
A vacinação de bloqueio deve ser realizada diante de um caso suspeito de sarampo para interromper a cadeia de transmissão. Deve ser feita em até 72 horas após o contato, abrangendo todos os contatos suscetíveis (sem comprovação vacinal) a partir dos 6 meses de idade. Para crianças de 6 meses a 11 meses vacinadas durante o bloqueio, essa dose é considerada 'dose zero', não contando para o calendário de rotina.
A imunoglobulina é indicada para contatos suscetíveis com alto risco de complicações e que possuem contraindicação à vacina de vírus vivo (Tríplice Viral). Isso inclui: gestantes suscetíveis, imunocomprometidos (como pacientes com leucemia ou HIV com CD4 baixo) e lactentes menores de 6 meses expostos. O ideal é que seja administrada em até 6 dias após a exposição.
O sinal patognomônico são as Manchas de Koplik: pequenos pontos brancos com halo eritematoso na mucosa bucal, geralmente na altura dos molares, que surgem no período prodrômico. Clinicamente, o sarampo se apresenta com febre alta, tosse produtiva, coriza, conjuntivite com fotofobia e um exantema maculopapular morbiliforme de progressão cefalocaudal que descama finamente.
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