Anafilaxia Pediátrica: Manejo de Emergência e Epinefrina

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Criança de 6 anos é admitida na emergência com história de aparecimento súbito de eritema em face e edema labial, evoluindo para urticária generalizada, dispneia e sibilância. Ela estava brincando no quintal da casa quando os sintomas começaram, há cerca de 20 minutos da admissão. Tem antecedente de asma e alergia a proteína do leite de vaca. Ao exame físico, apresentava urticas em face, tronco e membros e angioedema em lábios. À ausculta respiratória, apresentava sibilos inspiratórios e expiratórios, pressão arterial com níveis de 80/50 mmHg e saturação periférica de oxigênio medida em 89% em ar ambiente. Qual a conduta inicial correta?

Alternativas

  1. A) Epinefrina subcutânea e suplementação de oxigênio.
  2. B) Epinefrina intramuscular e suplementação de oxigênio.
  3. C) Difenidramina e metilprednisolona intravenosos e suplementação de oxigênio.
  4. D) Prometazina intramuscular, salbutamol aerossol e suplementação de oxigênio.

Pérola Clínica

Anafilaxia com comprometimento respiratório/hemodinâmico → Epinefrina IM imediata + O2.

Resumo-Chave

A anafilaxia é uma reação alérgica grave e potencialmente fatal, exigindo reconhecimento rápido e tratamento imediato com epinefrina intramuscular. A via intramuscular é preferível à subcutânea devido à absorção mais rápida e eficaz, especialmente em situações de choque. A suplementação de oxigênio é vital para combater a hipoxemia.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que pode ocorrer após exposição a alérgenos como alimentos, medicamentos ou picadas de insetos. Em crianças, a alergia alimentar é a causa mais comum. O reconhecimento precoce dos sintomas, que podem variar de cutâneos a respiratórios, cardiovasculares e gastrointestinais, é crucial para um desfecho favorável. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios, como histamina e leucotrienos, por mastócitos e basófilos, levando a broncoespasmo, vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e choque. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de sintomas agudos envolvendo dois ou mais sistemas orgânicos, ou hipotensão após exposição a um alérgeno conhecido. O tratamento de emergência da anafilaxia é a epinefrina intramuscular, que deve ser administrada imediatamente na face anterolateral da coxa. A suplementação de oxigênio, fluidos intravenosos e monitorização são medidas de suporte essenciais. Anti-histamínicos e corticosteroides são adjuvantes e não substituem a epinefrina. A educação do paciente e da família sobre o uso de autoinjetores de epinefrina e a prevenção de novas exposições são fundamentais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de anafilaxia grave em crianças?

Sinais de anafilaxia grave incluem comprometimento respiratório (dispneia, sibilância, estridor), hipotensão, choque, angioedema de vias aéreas e urticária generalizada de rápida progressão.

Qual a dose e via correta da epinefrina na anafilaxia pediátrica?

A dose recomendada é de 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg) de solução 1:1000 por via intramuscular, preferencialmente na face anterolateral da coxa.

Por que a epinefrina é o tratamento de primeira linha para anafilaxia?

A epinefrina atua rapidamente como vasoconstritor, broncodilatador e inibidor da liberação de mediadores inflamatórios, revertendo os efeitos sistêmicos da anafilaxia e salvando vidas.

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