CIUR com Centralização Fetal: Conduta e Urgência

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019

Enunciado

Paciente CSK, 25 anos, Gesta I, Para 0, com idade gestacional de 31 semanas, em acompanhamento no pré-natal de alto risco em virtude de crescimento intrauterino restrito. Na consulta atual, traz ultrassonografia com volume de líquido amniótico reduzido (maior bolsão de 0,5 cm) e Dopplervelocimetria demonstrando elevada resistência na artéria umbilical com sinais de centralização. A paciente já havia realizado ciclo de corticoide para maturidade pulmonar com 30 semanas. Qual a conduta para o caso?

Alternativas

  1. A) Repetir ciclo de corticoide e interrupção da gestação.
  2. B) Dopplervelocimetria diária e interrupção da gestação com 34 semanas.
  3. C) Interrupção imediata da gestação.
  4. D) Dopplervelocimetria diária e interrupção da gestação com 32 semanas.

Pérola Clínica

CIUR + oligodrâmnio grave + centralização fetal (31 semanas) → Interrupção imediata da gestação.

Resumo-Chave

A presença de Crescimento Intrauterino Restrito (CIUR) com sinais de comprometimento fetal grave, como oligodrâmnio severo (maior bolsão < 1 cm) e centralização de fluxo na dopplervelocimetria da artéria umbilical, indica sofrimento fetal agudo e a necessidade de interrupção imediata da gestação, independentemente da idade gestacional, para evitar desfechos adversos.

Contexto Educacional

O Crescimento Intrauterino Restrito (CIUR) é uma condição séria que exige monitoramento rigoroso no pré-natal de alto risco. A dopplervelocimetria é uma ferramenta essencial para avaliar o bem-estar fetal e a função placentária. O caso apresentado descreve um cenário de CIUR com sinais de comprometimento fetal avançado: idade gestacional de 31 semanas, oligodrâmnio grave (maior bolsão de 0,5 cm) e centralização de fluxo na artéria umbilical. A centralização de fluxo na artéria umbilical, com aumento da resistência, e a diminuição da resistência na artéria cerebral média (sinal de centralização) indicam que o feto está redistribuindo o fluxo sanguíneo para preservar órgãos vitais, como o cérebro, em resposta à hipóxia crônica. O oligodrâmnio severo (< 1 cm no maior bolsão) é um marcador adicional de sofrimento fetal, refletindo a diminuição da perfusão renal e da produção de urina fetal. Diante de um quadro de CIUR com sinais de comprometimento fetal grave e progressivo, a conduta é a interrupção imediata da gestação, mesmo que o ciclo de corticoide para maturidade pulmonar já tenha sido realizado. O risco de morte fetal intrauterina supera os benefícios de prolongar a gestação. A decisão deve ser rápida para otimizar o prognóstico neonatal, e o residente deve estar apto a identificar esses sinais de urgência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de centralização fetal na dopplervelocimetria?

A centralização fetal é caracterizada pela diminuição da resistência na artéria cerebral média (ACM) e aumento da resistência na artéria umbilical (AU), indicando uma redistribuição do fluxo sanguíneo para órgãos vitais como o cérebro em resposta à hipóxia.

Qual a importância do oligodrâmnio no CIUR?

O oligodrâmnio (volume de líquido amniótico reduzido) em casos de CIUR é um sinal de comprometimento fetal, pois reflete a diminuição da perfusão renal fetal e, consequentemente, da produção de urina, um dos principais componentes do líquido amniótico.

Quando é indicada a interrupção da gestação em CIUR?

A interrupção da gestação em CIUR é indicada quando há sinais de comprometimento fetal grave, como centralização de fluxo, diástole zero ou reversa na artéria umbilical, ducto venoso alterado, ou oligodrâmnio severo, independentemente da idade gestacional, visando evitar a morte fetal.

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