CIUR em Gestações Múltiplas: Fatores de Risco e Manejo

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023

Enunciado

O crescimento intrauterino restrito (CIUR), apresenta morbidade perinatal cinco vezes maior quando comparado aos fetos com desenvolvimento adequado. Atenção especial deve ser dada à(ao)

Alternativas

  1. A) uso do doppler da artéria uterina é o principal preditor de CIUR quando feito na fase préconcepcional.
  2. B) diabetes gestacional insulinodependente cursa em 30% das gestações com comprometimento do desenvolvimento fetal pelas malformações comuns a esses fetos.
  3. C) tipo II – simétrico ou intrínseco, ou proporcional, ou hipoplásico: ocorre em 20% dos casos, sendo decorrente de fatores etiológicos que atuam no final da gravidez, na fase de hiperplasia celular, reduzindo o número de células dos órgãos.
  4. D) tipo I – assimétrico ou desproporcional: ocorre em 75% dos casos, sendo geralmente decorrente de insuficiência placentária.
  5. E) gestação múltipla tende a manifestar redução de crescimento de um ou ambos os fetos, quando comparados com fetos de gestação única. É mais frequente em gestações monocoriônicas complicadas pela síndrome da transfusão feto-fetal.

Pérola Clínica

CIUR em gestação múltipla, especialmente monocoriônica com STFF, é um risco elevado devido à partilha placentária e desequilíbrio hemodinâmico.

Resumo-Chave

Gestações múltiplas, particularmente as monocoriônicas, apresentam um risco significativamente maior de CIUR devido à competição por nutrientes e, em casos de Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF), a um desequilíbrio hemodinâmico grave que afeta o crescimento de um ou ambos os fetos. A atenção a esses casos é crucial para o manejo e prognóstico.

Contexto Educacional

O Crescimento Intrauterino Restrito (CIUR) é uma condição que afeta cerca de 5-10% das gestações, caracterizada pela incapacidade do feto de atingir seu potencial genético de crescimento. Está associado a um aumento significativo da morbidade e mortalidade perinatal, incluindo maior risco de asfixia, sofrimento fetal, prematuridade, e sequelas neurológicas a longo prazo. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar os desfechos. A etiologia do CIUR é multifatorial, incluindo fatores maternos (hipertensão, doenças crônicas, tabagismo), placentários (insuficiência placentária, infartos) e fetais (anomalias cromossômicas, infecções). Gestações múltiplas, em particular as monocoriônicas, representam um grupo de alto risco para CIUR devido à complexidade da vascularização placentária e à possibilidade de Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF), onde um feto (receptor) recebe mais sangue que o outro (doador), levando a desequilíbrios de crescimento. O diagnóstico do CIUR baseia-se na ultrassonografia seriada para avaliação do peso fetal estimado e dos parâmetros biométricos. O manejo envolve a identificação da causa, monitorização fetal intensiva (dopplerfluxometria, perfil biofísico) e, em alguns casos, a interrupção da gestação no momento mais oportuno para otimizar o equilíbrio entre o risco de prematuridade e o risco de sofrimento fetal intrauterino. A atenção especial a gestações múltiplas, especialmente as monocoriônicas complicadas por STFF, é fundamental devido à sua alta complexidade e risco aumentado de CIUR.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de CIUR em gestações múltiplas?

Em gestações múltiplas, especialmente as monocoriônicas, a principal causa de CIUR é a insuficiência placentária e a competição por nutrientes. Em casos de gestações monocoriônicas, a Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF) é uma complicação grave que pode levar a CIUR em um ou ambos os fetos devido ao desequilíbrio hemodinâmico.

Como o CIUR tipo I (assimétrico) se diferencia do tipo II (simétrico)?

O CIUR tipo I (assimétrico) é mais comum (70-80% dos casos), geralmente causado por insuficiência placentária no final da gestação, afetando principalmente o peso fetal com preservação do crescimento cefálico. O tipo II (simétrico) ocorre em 20-30% dos casos, é causado por fatores que atuam no início da gestação (genéticos, infecções), afetando proporcionalmente todos os parâmetros de crescimento fetal.

Qual a importância do Doppler da artéria uterina na avaliação do CIUR?

O Doppler da artéria uterina é um importante preditor de CIUR, especialmente quando realizado no primeiro e segundo trimestres. Ele avalia a resistência vascular placentária, e um aumento na resistência pode indicar risco de insuficiência placentária e, consequentemente, de CIUR. No entanto, não é um preditor pré-concepcional.

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