Complicações em LASIK: Crescimento Epitelial na Interface

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2010

Enunciado

Paciente submetido à cirurgia refrativa, apresentou deslocamento da lamela 2 dias após a operação, necessitando novo procedimento para seu reposicionamento. Qual o provável diagnóstico da complicação apresentada?

Alternativas

  1. A) Ceratite lamelar difusa
  2. B) Ceratite por micobactéria
  3. C) Crescimento epitelial na interface
  4. D) Depósito de medicamentos na interface

Pérola Clínica

Deslocamento de lamela + reintervenção precoce → ↑ Risco de crescimento epitelial na interface.

Resumo-Chave

O crescimento epitelial na interface ocorre quando células da superfície migram sob o flap, frequentemente após manipulação cirúrgica, trauma ou defeitos na borda da lamela.

Contexto Educacional

A cirurgia refrativa a laser (LASIK) é amplamente segura, mas exige vigilância no pós-operatório. O deslocamento da lamela é uma urgência que requer reposicionamento imediato. Essa manipulação adicional aumenta significativamente a chance de 'semear' células epiteliais na interface. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações como o melting (derretimento) estromal, que pode ocorrer se as células epiteliais presas liberarem enzimas colagenases. O residente deve estar atento a opacidades na interface em qualquer paciente que tenha sofrido trauma ou reintervenção pós-LASIK.

Perguntas Frequentes

O que causa o crescimento epitelial na interface após LASIK?

O crescimento epitelial na interface é uma complicação onde células do epitélio corneano migram para o espaço entre o flap (lamela) e o leito estromal. As causas principais incluem má adesão das bordas do flap, microtraumas epiteliais durante a cirurgia, ou, como no caso clínico, a necessidade de levantamento e reposicionamento do flap no pós-operatório imediato, o que facilita a entrada de células epiteliais na interface.

Como diferenciar o crescimento epitelial da Ceratite Lamelar Difusa (DLK)?

O crescimento epitelial geralmente aparece como ninhos de células esbranquiçadas ou opacidades geográficas na periferia ou centro da interface, muitas vezes com bordas bem definidas. Já a DLK (Diffuse Lamellar Keratitis) manifesta-se como um infiltrado granular fino e difuso, comparado a 'grãos de areia', que surge nos primeiros dias e tem natureza inflamatória, respondendo a corticoides, ao contrário do crescimento epitelial.

Qual o tratamento para o crescimento epitelial na interface?

Se o crescimento for periférico, não progressivo e não afetar a visão ou induzir astigmatismo, pode-se apenas observar. No entanto, se houver progressão para o eixo visual, redução da acuidade visual ou irregularidade corneana, o tratamento indicado é o levantamento do flap, raspagem mecânica cuidadosa das células epiteliais tanto da face posterior do flap quanto do leito estromal, seguida de reposicionamento e, por vezes, uso de suturas ou cola de fibrina.

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