UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2021
A doença coronavírus de 2019 (COVID-19) é caracterizada por síndrome respiratória aguda grave causada pelo coronavírus 2 (SARS-CoV2), considerada uma pandemia pelo mundo pela Organização Mundial da Saúde. A COVID-19 tem uma série de implicações cardiovasculares importantes, uma delas é a associação com eventos trombóticos arteriais e venosos. Com base nessas informações, considere as afirmativas a seguir.I. Em relação ao uso de anticoagulantes na infecção pelo SARS-CoV-2, é necessário avaliar o risco/benefício, pesando a sua potencial eficácia: prevenção de trombose em microcirculação pulmonar, tromboembolismo venoso e trombose arterial, contra o risco de complicações, como o sangramento.II. As anormalidades hemostáticas mais frequentes com COVID-19 incluem trombocitopenia e níveis aumentados de dímero-D, que estão associados a um maior risco de eventos tromboembólicos, de exigir ventilação mecânica e admissão na unidade de terapia intensiva.III. Pacientes internados com COVID-19 devem ser extratificados de acordo com os escores de Pádua ou Caprini e receberem profilaxia com heparina não fracionada ou de baixo peso molecular em doses profiláticas de acordo com o seu risco de desenvolver fenômenos tromboembólicos.IV. A infecção pelo SARS-CoV-2 parece carregar potencial trombogênico aumentado, com repercussões na microcirculação pulmonar, podendo haver benefício de anticoagulação sistêmica com doses terapêuticas de heparina em todos os pacientes sintomáticos. Assinale a alternativa correta.
COVID-19 → alto risco trombótico, profilaxia com heparina em internados (Pádua/Caprini), dímero-D ↑ e trombocitopenia são marcadores de gravidade.
A COVID-19 está associada a um estado protrombótico significativo, aumentando o risco de eventos tromboembólicos arteriais e venosos. A avaliação risco-benefício da anticoagulação é crucial, e a profilaxia com heparina é recomendada para pacientes internados, estratificando o risco com escores como Pádua ou Caprini.
A doença por coronavírus 2019 (COVID-19), causada pelo SARS-CoV-2, é uma condição multissistêmica que, além de afetar o sistema respiratório, tem importantes implicações cardiovasculares e hematológicas. Um dos aspectos mais notáveis é o estado de hipercoagulabilidade, que leva a um risco aumentado de eventos trombóticos arteriais e venosos, incluindo tromboembolismo pulmonar, trombose venosa profunda, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. A fisiopatologia envolve uma tempestade inflamatória, disfunção endotelial e ativação plaquetária, resultando em um perfil de coagulopatia comumente caracterizado por níveis elevados de dímero-D e, por vezes, trombocitopenia. Essas alterações estão associadas a um pior prognóstico e maior necessidade de suporte intensivo. Diante desse cenário, a avaliação do risco-benefício da anticoagulação é crucial, ponderando a prevenção de eventos trombóticos contra o risco de sangramento. As diretrizes atuais recomendam fortemente a profilaxia de tromboembolismo venoso com heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada (HNF) em doses profiláticas para todos os pacientes internados com COVID-19, com base na estratificação de risco utilizando escores como Pádua ou Caprini. A anticoagulação em doses terapêuticas, por outro lado, não é recomendada de rotina para todos os pacientes sintomáticos, sendo reservada para aqueles com trombose confirmada ou em contextos de pesquisa clínica específicos, devido ao aumento do risco de sangramento.
A infecção por SARS-CoV-2 induz uma resposta inflamatória sistêmica intensa, disfunção endotelial, ativação plaquetária e desregulação do sistema de coagulação, criando um estado protrombótico que aumenta o risco de trombose.
Níveis elevados de dímero-D são um marcador de hipercoagulabilidade e estão associados a maior gravidade da doença, risco de tromboembolismo e pior prognóstico em pacientes com COVID-19, sendo útil para estratificação de risco.
A anticoagulação terapêutica é indicada para pacientes com COVID-19 que apresentam trombose confirmada (TVE, TEV, trombose arterial) ou em situações de alto risco específico, após avaliação individualizada do risco-benefício de sangramento.
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