UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Primigesta, 27a, idade gestacional de 33 semanas, procura atendimento médico com queixa de cansaço, dor torácica e febre há quatro dias. Refere tosse seca e prostração há oito dias. Antecedentes pessoais: diabetes mellitus tipo 1 e traço falciforme. Exame físico geral: Regular estado geral, descorada+/4+, T= 38,5°C, PA=134x61 mmHg, FC=110 bpm, FR=50 irpm, oximetria de pulso (ar ambiente)= 89%, IMC=23,4Kg/m2. Exame obstétrico: Altura uterina= 30 cm, BCF=158 bpm, dinâmica uterina= 2 contrações fracas de 30 segundos em 10 minutos, sem hipertonia uterina, boa movimentação fetal. Toque vaginal: colo 100% esvaecido, dilatado 3 cm. RT-PCR para covid-19= positivo. Além de internação e dos cuidados de suporte com oxigênio, A CONDUTA É:
Gestante com COVID-19 grave, trabalho de parto prematuro e sofrimento respiratório → monitorar feto, maturar pulmão e assistir parto.
A paciente apresenta COVID-19 grave com hipoxemia e trabalho de parto prematuro em curso. A conduta inclui monitoramento fetal (cardiotocografia), maturação pulmonar com corticosteroides (dexametasona) e assistência ao parto, pois a inibição pode não ser eficaz ou segura neste contexto.
A infecção por COVID-19 na gravidez pode levar a quadros graves, especialmente em gestantes com comorbidades como diabetes. A hipoxemia materna é uma complicação séria que pode comprometer o bem-estar fetal e precipitar o trabalho de parto prematuro. O manejo dessas pacientes exige uma abordagem multidisciplinar e individualizada, considerando a saúde materna e fetal. Neste cenário, a paciente apresenta sinais de COVID-19 grave (hipoxemia, taquipneia, febre) e trabalho de parto prematuro estabelecido (colo 100% esvaecido, 3 cm dilatado). A prioridade é a estabilização materna com oxigenoterapia e monitoramento rigoroso. A maturação pulmonar fetal com corticosteroides (dexametasona ou betametasona) é indicada em gestações entre 24 e 34 semanas e 6 dias com risco de parto prematuro, para reduzir a morbimortalidade neonatal. A cardiotocografia é essencial para avaliar a vitalidade fetal. A inibição do trabalho de parto pode ser contraindicada em casos de infecção materna grave ou quando o parto é iminente. Portanto, a conduta mais adequada envolve a monitorização fetal, a administração de corticosteroides para maturação pulmonar e a assistência ao trabalho de parto, visando o melhor desfecho para mãe e bebê, considerando as condições clínicas e a idade gestacional.
A maturação pulmonar fetal com corticosteroides (betametasona ou dexametasona) é crucial para reduzir a incidência e gravidade da síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante em partos prematuros.
A inibição do trabalho de parto pode ser contraindicada em gestantes com COVID-19 grave, especialmente na presença de hipoxemia materna, instabilidade hemodinâmica, corioamnionite ou sofrimento fetal, onde a prioridade é a estabilização materna e o parto.
A cardiotocografia é fundamental para monitorar o bem-estar fetal em gestantes com COVID-19 grave, pois a hipoxemia materna e a febre podem impactar a oxigenação fetal e levar a alterações na frequência cardíaca fetal, indicando sofrimento.
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