Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2021
Paciente, 74 anos de idade, hipertenso e obeso, no NONO dia de infecção pelo SARS cov-2, com 30% de acometimento pulmonar à TC tórax, evoluindo com dispneia aos médios esforços e queda da saturação periférica de 02 (SpO2) para 88%. Foi levado para internação hospitalar. Qual a conduta mais apropriada nesse momento?
COVID-19 com hipoxemia e acometimento pulmonar → Oxigenioterapia + Dexametasona para reduzir mortalidade.
Pacientes com COVID-19 que apresentam hipoxemia (SpO2 < 94% em ar ambiente) e/ou acometimento pulmonar significativo, indicando fase inflamatória, beneficiam-se da oxigenioterapia e do uso de dexametasona. A dexametasona demonstrou reduzir a mortalidade em pacientes hospitalizados com COVID-19 que necessitam de oxigênio.
A COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, pode evoluir para formas graves, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades. A fase inflamatória da doença, que geralmente ocorre a partir do final da primeira semana, é caracterizada por uma resposta imune desregulada que pode levar a pneumonia, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e hipoxemia. O reconhecimento precoce dessa fase e a instituição de tratamento adequado são cruciais para melhorar o prognóstico. A fisiopatologia da COVID-19 grave envolve uma "tempestade de citocinas", com liberação excessiva de mediadores inflamatórios que causam dano pulmonar difuso. A hipoxemia é um marcador chave de gravidade e indica a necessidade de suporte respiratório. A tomografia de tórax pode revelar o grau de acometimento pulmonar, que se correlaciona com a gravidade da doença. A conduta para pacientes com COVID-19 que apresentam hipoxemia e acometimento pulmonar inclui a oxigenioterapia para manter a saturação adequada e a administração de dexametasona. A dexametasona, um corticoide, demonstrou em grandes estudos clínicos (como o RECOVERY) reduzir a mortalidade em pacientes hospitalizados com COVID-19 que necessitam de oxigênio. Outras terapias, como tocilizumabe ou plasma convalescente, têm indicações mais restritas ou evidências menos robustas para o manejo inicial.
A dexametasona é recomendada para pacientes com COVID-19 grave ou crítica, que necessitam de oxigenioterapia (seja por cateter nasal, máscara, VNI ou ventilação mecânica invasiva), devido à sua capacidade de modular a resposta inflamatória e reduzir a mortalidade.
A oxigenioterapia é fundamental para corrigir a hipoxemia, um dos principais fatores de risco para desfechos desfavoráveis na COVID-19. Ela deve ser iniciada sempre que a saturação periférica de oxigênio (SpO2) cair abaixo de 94% em ar ambiente, visando manter a SpO2 entre 92-96%.
Embora o tocilizumabe possa ser considerado em casos selecionados de hiperinflamação grave e progressiva, e o plasma convalescente tenha sido estudado, a evidência para seu uso rotineiro como primeira linha é menos robusta ou mais restrita do que para a dexametasona, que demonstrou benefício claro na mortalidade em pacientes com hipoxemia.
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