UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
J.S.P., 33 anos, G3P2CA0, IG: 33 semanas e 4 dias, sem comorbidades referidas, atendida em pronto atendimento com queixa de cefaleia e mialgia há 5 dias. Refere tosse seca inicialmente, evoluindo para tosse com expectoração e febre há 1 dia. Nega ter realizado vacinação para COVID-19. Ao exame: PA: 100 x 60 mmHg, FC: 124 bpm, FR: 27 irpm, SAtO2: 94%, TAX: 37,9ºC, dinâmica uterina ausente, BCF: 134 BPM, colo grosso, posterior, impérvio, sem perdas vaginais. Qual o manejo adequado para esse caso clínico?
Gestante com COVID-19 e hipoxemia (SatO2 < 95%) → Internação, O2, exames, RT-PCR, vitalidade fetal, anticoagulação profilática, considerar TC tórax.
A gestante com suspeita de COVID-19 e sinais de gravidade, como hipoxemia (SatO2 94%) e taquipneia (FR 27), requer internação imediata para suporte respiratório, monitoramento materno-fetal e investigação diagnóstica. A anticoagulação profilática é fundamental devido ao risco trombótico aumentado na gestação e na COVID-19.
A infecção por COVID-19 em gestantes requer atenção especial devido às potenciais complicações maternas e fetais. Gestantes com sintomas respiratórios e sinais de gravidade, como hipoxemia (SatO2 < 95%) e taquipneia, devem ser internadas para monitoramento intensivo. A fisiologia da gravidez, com o diafragma elevado e aumento do consumo de oxigênio, torna as gestantes mais vulneráveis à hipoxemia e à rápida deterioração respiratória. O manejo inicial de uma gestante com COVID-19 e hipoxemia inclui hidratação, oxigenoterapia para manter a SatO2 > 95%, coleta de exames laboratoriais (hemograma, PCR, D-dímero, função renal e hepática) e RT-PCR para confirmação diagnóstica. A avaliação da vitalidade fetal é primordial, incluindo monitoramento dos batimentos cardíacos fetais e, se necessário, ultrassonografia. A anticoagulação profilática com heparina de baixo peso molecular é recomendada devido ao risco aumentado de trombose na gestação e na COVID-19. Em casos de suspeita clínica ou laboratorial de pneumonia, a tomografia de tórax é um exame seguro e eficaz para avaliar a extensão do acometimento pulmonar, sendo o benefício materno superior ao risco fetal. A decisão sobre o momento do parto deve ser individualizada, considerando a idade gestacional, a gravidade da doença materna e a vitalidade fetal. A reserva de UTI adulto e neonatal é uma medida preventiva essencial em casos de gestantes com COVID-19 moderada a grave.
Sinais de alerta incluem dispneia, SatO2 < 95%, taquipneia (FR > 24 irpm), dor ou pressão torácica persistente, confusão mental, cianose labial ou facial, e sinais de sofrimento fetal.
A gestação por si só é um estado protrombótico, e a infecção por COVID-19 aumenta ainda mais o risco de eventos tromboembólicos. A anticoagulação profilática visa prevenir complicações como trombose venosa profunda e embolia pulmonar.
Sim, a tomografia de tórax pode ser realizada em gestantes quando há forte suspeita clínica ou laboratorial de pneumonia e o benefício para a mãe supera o risco teórico para o feto. A dose de radiação é minimizada e o abdome fetal é protegido.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo