SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021
Mulher, 32 anos de idade, gestante de 37 semanas, primigesta, sem comorbidades, vem realizando pré-natal regularmente. Ligou para o Telecoronavírus – serviço telefônico de apoio, criado durante a pandemia, para melhor esclarecimento ao cidadão sobre a necessidade, ou não, de avaliação médica presencial em caso de suspeita de infecção pelo Sars-CoV-2, – pois vem apresentando tosse seca há 5 dias e apresentou febre de 38,0ºC ontem, sem outras queixas. Relata que teve contato com o tio há cerca de uma semana, que também está com um quadro gripal.Indique a orientação correta a ser dada a essa paciente.
Gestante + sintomas gripais/febre → Avaliação médica presencial imediata (grupo de risco).
Gestantes são consideradas grupo de risco para formas graves de COVID-19; a presença de febre e sintomas respiratórios exige exame físico e monitoramento materno-fetal.
A pandemia de COVID-19 destacou a vulnerabilidade das gestantes a infecções virais sistêmicas. O manejo clínico deve ser agressivo, priorizando a identificação precoce de hipóxia e complicações tromboembólicas. A orientação para busca imediata de serviço de saúde, mesmo em casos aparentemente leves com febre, visa prevenir o desfecho desfavorável materno-fetal. O acompanhamento deve ser multidisciplinar, envolvendo obstetras, infectologistas e, se necessário, intensivistas, garantindo a segurança da binômio mãe-filho.
As gestantes apresentam alterações fisiológicas, como a elevação do diafragma, aumento do consumo de oxigênio e modificações no sistema imunológico, que as tornam mais suscetíveis a complicações de infecções respiratórias. Estudos demonstraram que gestantes com COVID-19 têm maior risco de admissão em UTI, necessidade de ventilação mecânica e óbito em comparação com mulheres não gestantes da mesma idade. Por isso, qualquer sintoma gripal deve ser rigorosamente avaliado por uma equipe médica presencial.
Além da dispneia (falta de ar), que é um sinal tardio e grave, a presença de febre persistente, tosse produtiva, dor torácica, saturação de oxigênio abaixo de 95% em ar ambiente e redução da movimentação fetal são sinais de alerta críticos. A avaliação presencial permite a realização de oximetria, ausculta pulmonar e avaliação da vitalidade fetal, garantindo que intervenções como a corticoterapia antenatal ou suporte ventilatório sejam iniciadas precocemente se necessário.
Não, a infecção pelo Sars-CoV-2 por si só não é uma indicação de parto cesárea. A via de parto deve ser decidida com base em indicações obstétricas habituais. O parto prematuro pode ser necessário em casos de deterioração materna grave para facilitar a ventilação, mas a cesárea não reduz o risco de transmissão vertical. O foco deve ser a estabilização clínica da mãe e o monitoramento do bem-estar fetal durante o quadro infeccioso.
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