CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Sobre a corticoterapia em casos de uveíte, podemos afirmar:
Uveíte grave → Prednisona (VO) para manutenção; Metilprednisolona (EV) para pulsoterapia.
A prednisona é o corticoide de escolha para uso oral prolongado em uveítes, enquanto a metilprednisolona é preferida para pulsoterapia endovenosa em casos graves.
O uso de corticosteroides sistêmicos é um pilar no tratamento das uveítes não infecciosas. A escolha do agente depende da potência desejada e da duração do efeito. A dexametasona e a betametasona são corticoides de longa ação e alta potência, mas com maior supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Nas uveítes, prioriza-se a ação glicocorticoide (anti-inflamatória) em detrimento da mineralocorticoide (retenção de sódio e água). O manejo exige vigilância rigorosa de efeitos colaterais sistêmicos, como hipertensão, diabetes, osteoporose e distúrbios psiquiátricos, além das complicações oculares como catarata e glaucoma secundário.
A pulsoterapia (geralmente 1g/dia por 3 dias) é indicada em casos de uveítes bilaterais graves, ameaça iminente de perda visual (como vasculites retinianas severas ou coroidites multifocais ativas) ou quando há necessidade de resposta anti-inflamatória extremamente rápida antes da transição para a via oral.
A prednisona é um pró-fármaco convertido em prednisolona no fígado. É a droga padrão devido à sua meia-vida intermediária, custo acessível e vasta experiência clínica no manejo de doenças inflamatórias crônicas, permitindo o desmame gradual (tapering) necessário para evitar o efeito rebote da uveíte.
Em uveítes ativas graves, a dose inicial costuma ser de 1 mg/kg/dia de prednisona (até um máximo usual de 60-80mg). Doses abaixo de 0,5 mg/kg/dia são geralmente consideradas doses de manutenção ou para quadros leves, não sendo suficientes para induzir remissão em processos inflamatórios intraoculares intensos.
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