CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2013
Sobre os corticoides de uso ocular tópico, é correto afirmar:
Corticoides tópicos retardam a reepitelização e a síntese de colágeno na córnea.
Corticosteroides oculares inibem a resposta inflamatória, mas prejudicam a cicatrização epitelial e estromal, além de aumentarem o risco de infecções secundárias e hipertensão ocular.
Os corticosteroides tópicos são pilares no controle da inflamação ocular, agindo na inibição da fosfolipase A2 e reduzindo a produção de mediadores da cascata do ácido araquidônico. No entanto, seu uso deve ser criterioso devido aos efeitos adversos significativos. Além do retardo na epitelização, o uso prolongado está associado à formação de catarata subcapsular posterior e ao aumento da pressão intraocular (PIO) em indivíduos 'respondedores'. A hipertensão ocular induzida por corticoide ocorre devido ao aumento da resistência ao escoamento do humor vítreo no trabeculado. Fármacos como a fluormetolona e o loteprednol foram desenvolvidos para minimizar esse efeito, apresentando menor potencial de elevar a PIO em comparação com a dexametasona e a prednisolona, mas ainda exigem monitoramento tonométrico regular.
Os corticoides retardam a cicatrização corneana por diversos mecanismos: inibem a migração de ceratócitos, reduzem a síntese de colágeno e proteoglicanos, e diminuem a atividade mitótica das células epiteliais. Isso pode levar ao afinamento estromal e retardar o fechamento de defeitos epiteliais, aumentando o risco de perfuração em casos de úlceras graves.
Embora ambas sejam potentes, o acetato de prednisolona 1% é frequentemente considerado o padrão-ouro para inflamações intraoculares devido à sua excelente penetração através da córnea íntegra. A dexametasona 0,1% também é potente, mas em termos de eficácia clínica na uveíte anterior, a prednisolona costuma apresentar resultados superiores.
O uso de corticoides é contraindicado na fase epitelial ativa da ceratite herpética (úlcera dendrítica), pois facilita a replicação viral. No entanto, eles são fundamentais no tratamento da ceratite estromal imune e da ceratouveíte herpética, desde que associados a uma cobertura antiviral sistêmica ou tópica adequada para prevenir a reativação viral.
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