Corrimento Vaginal Patológico: Diagnóstico e Diferenciais

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

A respeito dos tipos de corrimento patológico, é incorreto afirmar que

Alternativas

  1. A) a presença de Clue Cells (células-alvo) e teste das aminas positivo são sugestivos de vaginose bacteriana.
  2. B) Pseudohifas, esporos e PH alcalino (>5) são encontrados na candidíase vaginal.
  3. C) a presença de Trichomonas Vaginalis sempre requer tratamento da paciente e da parceria.
  4. D) candidíase de recorrente é definida por ≥ 4 episódios sintomáticos em um ano.

Pérola Clínica

Candidíase vaginal → pH ácido (<4,5), pseudohifas/esporos. pH alcalino (>5) NÃO é achado de candidíase.

Resumo-Chave

A candidíase vaginal é caracterizada por um pH vaginal ácido (geralmente < 4,5), diferente da vaginose bacteriana e tricomoníase que cursam com pH alcalino. A presença de pseudohifas e esporos é um achado microscópico típico da candidíase, mas o pH alcalino é incorreto para esta condição.

Contexto Educacional

O corrimento vaginal patológico é uma das queixas ginecológicas mais frequentes, e seu diagnóstico diferencial é crucial para um tratamento eficaz. As principais causas incluem vaginose bacteriana, candidíase vaginal e tricomoníase. Cada uma dessas condições apresenta características clínicas e laboratoriais distintas que permitem sua diferenciação. A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com supercrescimento de bactérias anaeróbias. Clinicamente, manifesta-se com corrimento branco-acinzentado, homogêneo e com odor fétido ("cheiro de peixe"), especialmente após relação sexual ou menstruação. Laboratorialmente, o pH vaginal é alcalino (>4,5), o teste das aminas é positivo e a microscopia revela a presença de "Clue Cells" (células epiteliais vaginais recobertas por bactérias). A candidíase vaginal, causada principalmente por Candida albicans, cursa com corrimento branco, espesso, grumoso (aspecto de "leite coalhado"), prurido intenso, eritema e edema vulvovaginal. Diferentemente da vaginose e tricomoníase, o pH vaginal na candidíase é tipicamente ácido (<4,5). A microscopia, após adição de KOH, revela a presença de pseudohifas e esporos. A candidíase recorrente é definida por quatro ou mais episódios sintomáticos em um ano. A tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, apresenta corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, com odor fétido, além de prurido e disúria. O pH vaginal é alcalino (>4,5). A microscopia a fresco permite a visualização dos trofozoítos móveis. É uma infecção sexualmente transmissível (IST), e o tratamento da parceria sexual é sempre necessário para evitar a reinfecção e a disseminação.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo e branco-acinzentado, pH vaginal > 4,5, teste das aminas (whiff test) positivo (odor de peixe após KOH) e presença de Clue Cells (células-alvo) no exame microscópico.

Como diferenciar candidíase de tricomoníase pelo exame microscópico?

Na candidíase, observam-se pseudohifas e esporos de levedura, com pH vaginal ácido (<4,5). Na tricomoníase, são visualizados trofozoítos móveis de Trichomonas vaginalis, com pH vaginal alcalino (>4,5) e frequentemente corrimento bolhoso.

Quando o tratamento da parceria sexual é necessário em casos de corrimento?

O tratamento da parceria sexual é mandatório na tricomoníase para evitar a reinfecção e controlar a disseminação da infecção. Na vaginose bacteriana e candidíase, o tratamento da parceria geralmente não é necessário, a menos que haja sintomas ou infecções recorrentes.

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