SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Laura, 25 anos, já consultada anteriormente no Centro de Saúde (CS) por queixa crônica de ciclos menstruais irregulares e obesidade. Última menstruação há 40 dias. Vem à nova consulta relatando surgimento de corrimento vaginal abundante, há aproximadamente dois meses, do tipo "clara de ovo que não quer ir embora", sem outros sinais e sintomas. Nega prurido, dor ou cheiro forte. Refere que está há três meses mantendo relações sexuais com um novo parceiro, muitas vezes sem preservativo. Ao exame especular: colo do útero com junção escamo colunar evidenciando área de ectopia pronunciada, com abundante secreção hialina. Toque vaginal sem alterações. Os testes de pH vaginal e KOH não foram realizados por falta de insumos no CS. Além de orientações para proteção adequada contra infecções sexualmente transmissíveis, solicitação de betaHCG e de sorologias, a conduta mais correta seria:
Corrimento hialino 'clara de ovo' sem prurido/odor/dor, associado à ectopia cervical, sugere secreção vaginal fisiológica.
Um corrimento vaginal abundante, hialino, com aspecto de 'clara de ovo', sem odor fétido, prurido ou dor, especialmente na presença de ectopia cervical, é frequentemente uma secreção fisiológica normal, muitas vezes relacionada a variações hormonais ou à própria ectopia.
O corrimento vaginal é uma queixa comum na prática ginecológica, e o desafio reside em diferenciar o fisiológico do patológico. O corrimento vaginal fisiológico é uma ocorrência normal, variando em volume e consistência ao longo do ciclo menstrual devido às flutuações hormonais. Caracteriza-se por ser claro, branco ou hialino, sem odor fétido, prurido, dor ou irritação. A ectopia cervical, uma condição fisiológica comum onde o epitélio colunar do endocérvice se estende para o ectocérvice, pode aumentar a produção de muco e, consequentemente, o volume do corrimento fisiológico. No caso clínico apresentado, a descrição de corrimento 'clara de ovo que não quer ir embora', hialino, sem prurido, dor ou cheiro forte, em uma paciente com ectopia pronunciada, é altamente sugestiva de um corrimento fisiológico. A ausência de sintomas inflamatórios ou infecciosos, como disúria, dispareunia ou sinais de cervicite, reforça essa hipótese. Mesmo com histórico de relações sexuais sem preservativo, a apresentação clínica não é típica de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) bacterianas ou fúngicas. A conduta mais adequada, após excluir gestação e realizar sorologias para ISTs (devido ao histórico sexual), é tranquilizar a paciente e orientá-la sobre a natureza fisiológica do corrimento. Evitar tratamentos desnecessários com antibióticos ou antifúngicos é crucial para prevenir a resistência antimicrobiana e a disbiose vaginal. A educação da paciente sobre a normalidade de seu corpo é uma parte fundamental do cuidado ginecológico.
O corrimento fisiológico é geralmente claro, branco ou hialino ('clara de ovo'), sem odor fétido, não causa prurido, dor ou irritação. Sua quantidade e consistência podem variar ao longo do ciclo menstrual.
Ectopia cervical é a presença de epitélio colunar glandular (normalmente encontrado no canal endocervical) na porção externa do colo. É uma condição fisiológica comum, especialmente em mulheres jovens e usuárias de contraceptivos hormonais, e pode aumentar a produção de muco, resultando em mais corrimento.
Sinais de alerta incluem mudança na cor (amarelo, verde, cinza), odor fétido (especialmente 'cheiro de peixe'), prurido intenso, dor ou ardência vaginal, disúria, dispareunia ou sangramento intermenstrual.
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