UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020
Mulher de 32 anos apresenta corrimento vaginal persistente sem melhora após diversos tratamentos. Refere último tratamento há 40 dias, com creme vaginal que não sabe o nome, por sete dias. Nega mau odor genital e/ou prurido. Tem hábito de higienizar a região genital várias vezes ao dia com sabonetes perfumados. Exames microscópicos do conteúdo vaginal (imagens a seguir). O diagnóstico e a conduta são:
Corrimento vaginal persistente sem odor/prurido + higiene excessiva → suspeitar de conteúdo fisiológico ou irritação.
A ausência de sintomas como prurido e mau odor, aliada ao histórico de higiene excessiva e falha de múltiplos tratamentos, sugere que o corrimento pode ser fisiológico ou resultado de irritação. A adequação da higiene é crucial para restaurar o equilíbrio da flora vaginal e evitar disbiose.
O corrimento vaginal é uma queixa ginecológica extremamente comum, e a diferenciação entre causas fisiológicas e patológicas é fundamental. O corrimento fisiológico é uma parte normal da saúde feminina, variando com o ciclo menstrual, gravidez e uso de contraceptivos. É crucial reconhecer suas características para evitar tratamentos desnecessários e iatrogenias. A anamnese detalhada, incluindo hábitos de higiene e uso de produtos íntimos, é tão importante quanto o exame físico e a microscopia do conteúdo vaginal para um diagnóstico preciso. Muitos casos de corrimento persistente sem etiologia clara estão relacionados a irritação por produtos químicos ou disbiose induzida por higiene excessiva. A vaginose citolítica, por exemplo, é uma condição de supercrescimento de lactobacilos que mimetiza candidíase, mas sem fungos, e pode ser exacerbada por desequilíbrios. O manejo adequado envolve a educação da paciente sobre a fisiologia vaginal e a modificação de hábitos que possam estar contribuindo para a irritação ou desequilíbrio da microbiota. A intervenção deve ser conservadora, focando em restaurar o ambiente vaginal saudável, e não em erradicar uma suposta infecção. Para residentes, é um ponto chave para evitar a medicalização desnecessária e promover a saúde ginecológica integral.
O corrimento vaginal fisiológico é geralmente claro ou esbranquiçado, sem odor forte, não causa prurido ou irritação e varia em volume e consistência ao longo do ciclo menstrual. É composto por muco cervical, células epiteliais descamadas e lactobacilos.
A higiene excessiva, especialmente com sabonetes perfumados ou duchas vaginais, pode alterar o pH vaginal, eliminar a flora protetora de lactobacilos e causar irritação da mucosa. Isso pode levar a sintomas de disbiose ou irritação, erroneamente interpretados como infecção.
A conduta inicial deve focar na educação da paciente sobre a fisiologia vaginal e na adequação dos hábitos de higiene. Recomenda-se o uso de sabonetes neutros ou específicos para a região íntima, evitar duchas vaginais e roupas apertadas, e secar bem a região após o banho.
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