Corrimento Vaginal: Diferenciais e Diagnóstico Preciso

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2020

Enunciado

A.S.V., 22 anos, vem pela segunda vez em consulta com queixa de corrimento vaginal. Hoje reclama que além do corrimento vaginal percebeu mudança no odor vaginal e coloração amarelada da secreção. A respeito das diferentes causas de corrimento vaginal é(são) correta(s) a(s) alternativa(s) I. Corrimento vaginal branco grumoso associado a prurido e presença de hifas no exame microscópico são característicos de candidíase vaginal. II. Gardenerella vaginalis causa vaginite com leucocitose e associação com doença inflamatória pélvica. III. Na trichomoníase vaginal o teste das aminas é positivo, o pH vaginal maior ou igual a 5 e o corrimento vaginal verde-amarelado. IV. A detecção de clue cells no exame microscópico isoladamente é forte indício de vaginose bacteriana.

Alternativas

  1. A) I e III corretas
  2. B) II e III corretas
  3. C) I e IV corretas
  4. D) VI correta

Pérola Clínica

Candidíase = corrimento grumoso, prurido, hifas. Tricomoníase = corrimento verde-amarelado, pH >5, Whiff +.

Resumo-Chave

O diagnóstico diferencial dos corrimentos vaginais é crucial. A candidíase se manifesta com prurido intenso e corrimento branco grumoso, enquanto a tricomoníase apresenta corrimento verde-amarelado, pH elevado e teste de Whiff positivo. A vaginose bacteriana requer múltiplos critérios de Amsel.

Contexto Educacional

O corrimento vaginal é uma das queixas ginecológicas mais comuns, e seu diagnóstico diferencial é fundamental para o tratamento adequado. As principais causas infecciosas incluem candidíase vaginal, tricomoníase e vaginose bacteriana, cada uma com características clínicas e laboratoriais distintas. A candidíase vaginal, causada por espécies de Candida (principalmente C. albicans), manifesta-se com prurido intenso, queimação, disúria e corrimento branco, espesso e grumoso. O pH vaginal é geralmente normal (<4,5), e o exame microscópico revela hifas ou pseudo-hifas. A tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, apresenta corrimento verde-amarelado, espumoso, com odor fétido, prurido e inflamação vulvovaginal. O pH vaginal é elevado (>5), e o teste de Whiff é positivo, com visualização de trofozoítos móveis ao microscópio. A vaginose bacteriana, como discutido anteriormente, é uma disbiose caracterizada por corrimento homogêneo, pH >4,5, teste de Whiff positivo e clue cells. É crucial que o residente saiba diferenciar essas condições para instituir a terapia correta e evitar complicações ou tratamentos desnecessários. A correta interpretação dos achados clínicos e laboratoriais é a chave para um manejo eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são as características típicas do corrimento na candidíase vaginal?

Na candidíase vaginal, o corrimento é tipicamente branco, espesso, grumoso (assemelhando-se a "leite coalhado"), e geralmente acompanhado de prurido intenso, queimação e edema vulvovaginal. O pH vaginal costuma ser normal (<4,5).

Quais achados laboratoriais são esperados na tricomoníase vaginal?

Na tricomoníase vaginal, o exame a fresco pode revelar protozoários móveis (Trichomonas vaginalis). O pH vaginal é geralmente elevado (>5), e o teste de Whiff (teste das aminas) é frequentemente positivo. O corrimento é tipicamente verde-amarelado e espumoso.

Por que a presença de clue cells isoladamente não é suficiente para diagnosticar vaginose bacteriana?

Embora as clue cells sejam um achado patognomônico da vaginose bacteriana, o diagnóstico requer a presença de pelo menos três dos quatro Critérios de Amsel (corrimento homogêneo, pH >4,5, teste de Whiff positivo e clue cells). A presença isolada de clue cells pode ocorrer em outras condições ou em menor quantidade sem configurar vaginose.

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