Correspondência Retiniana Anômala no Estrabismo

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017

Enunciado

Em relação à correspondência retiniana anômala, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) É um estado de adaptação sensorial que se corrige com a cirurgia, ainda que realizada no adulto.
  2. B) É mais frequente nos desvios de grande ângulo.
  3. C) É um fator de recorrência do desvio, após a cirurgia para correção de estrabismo de pequeno ângulo.
  4. D) Tem pouca importância na programação cirúrgica das esotropias.

Pérola Clínica

CRA em estrabismo de pequeno ângulo → Fator de risco para recorrência do desvio após cirurgia corretiva.

Resumo-Chave

A CRA é uma adaptação cortical estável onde pontos retinianos não correspondentes adquirem a mesma direção visual, dificultando a cura motora definitiva.

Contexto Educacional

A correspondência retiniana anômala representa uma plasticidade neurosensorial do sistema visual em desenvolvimento. Quando ocorre um desvio ocular constante na infância, o cérebro reorganiza as conexões corticais para fundir as imagens de pontos retinianos não correspondentes, eliminando a diplopia e a confusão visual. Essa condição é particularmente comum em microtropias e esotropias de pequeno ângulo. Embora seja uma adaptação benéfica para evitar a diplopia, ela se torna um obstáculo para o sucesso cirúrgico a longo prazo, pois a estabilidade do alinhamento ocular depende da correspondência retiniana normal. No adulto, a CRA é considerada imutável.

Perguntas Frequentes

O que define a correspondência retiniana anômala (CRA)?

A CRA é uma adaptação sensorial ao estrabismo de início precoce, na qual a fóvea do olho fixador passa a ter uma direção visual comum com uma área extrafoveal do olho desviado (ponto zero). Isso permite algum grau de visão binocular rudimentar e evita a diplopia, apesar do desalinhamento ocular.

Por que a CRA causa recorrência do estrabismo?

Em estrabismos de pequeno ângulo com CRA, o cérebro 'prefere' manter o desvio para o qual se adaptou sensorialmente. Após a correção cirúrgica motora, o sistema sensorial anômalo exerce uma força de 'verência' para retornar o olho à posição original de desvio, onde a CRA era funcional, levando à recidiva.

Como diagnosticar a CRA na prática clínica?

O diagnóstico pode ser feito através de testes sensoriais como o Teste de Vidros Estriados de Bagolini (mais fisiológico), o Teste de Pós-Imagens de Hering-Bielschowsky ou o Teste de Worth. A discrepância entre o ângulo objetivo (medido pelo cover test) e o ângulo subjetivo (percebido pelo paciente) confirma a presença de CRA.

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