SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2015
ASL, 19 anos, foi atendida na emergência em 20/10/2014 referindo dor no baixo ventre, principalmente do lado direito, há 48 horas. A dor atingiu moderada intensidade em poucas horas, é contínua, como uma pressão ou um aperto e desacompanhada de outros sintomas. Desde ontem já tomou quatro comprimidos de acetominofen de 750 mg, obtendo leve alívio. Como a dor continua e no momento tem moderada intensidade, procurou a emergência. Alimentação, função intestinal, micção e respiração são normais. Nega febre e dispareunia. Eumenorreica (ciclo de 28 dias), sem dismenorreia. Última menstruação em 01/10/2014. Faz contracepção com condom masculino. Nuligesta. O exame físico: bom estado geral, abdome plano e flácido, sem visceromegalias, doloroso à palpação profunda da FID e hipogástrio. Sinal de Blumberg negativo. Ao exame especular o colo uterino pequeno, rosa-pálido, com discreta ectopia periorificial, muco cervical escasso com filância de 2 mm, de coloração translúcida e aderido ao orifício cervical. Vagina de aspecto normal. O toque vaginal mostra útero de aspecto normal, indolor à mobilização e discreta dor a palpação da região anexial direita, onde se palpa tumoração móvel, com superfície regular, medindo 6 x 4 x 4 cm. Anexo esquerdo não palpado. Do exposto, qual o diagnóstico provável?
Dor pélvica aguda em mulher jovem, nuligesta, sem febre/dispareunia, com massa anexial móvel e Blumberg negativo → Corpo lúteo hemorrágico.
A paciente apresenta dor pélvica unilateral, sem sinais de infecção (ausência de febre, dispareunia, Blumberg negativo, muco cervical normal) ou gravidez (uso de condom, nuligesta, última menstruação recente). A palpação de uma massa anexial móvel e dolorosa, com útero indolor à mobilização, sugere uma condição ovariana benigna e autolimitada, como um corpo lúteo hemorrágico, que é comum no período pós-ovulatório.
A dor pélvica aguda é uma queixa comum na emergência ginecológica, e o corpo lúteo hemorrágico é uma das causas mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva. O corpo lúteo é uma estrutura fisiológica que se forma após a ovulação e pode ocasionalmente sangrar para dentro do cisto ou para a cavidade peritoneal, causando dor. Sua incidência é maior em mulheres que utilizam anticoagulantes ou que têm distúrbios de coagulação. O diagnóstico diferencial da dor pélvica aguda é amplo e inclui condições como prenhez ectópica, doença inflamatória pélvica (DIP), apendicite, torção anexial e endometriose. A história clínica detalhada, incluindo data da última menstruação, uso de contraceptivos e presença de febre ou dispareunia, é fundamental. O exame físico, com palpação abdominal e toque vaginal, auxilia na localização da dor e na identificação de massas ou sinais de irritação peritoneal. A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico de corpo lúteo hemorrágico, visualizando um cisto ovariano com características de hemorragia interna. O tratamento é geralmente conservador, com analgésicos e repouso, pois a maioria dos casos se resolve espontaneamente. A cirurgia é reservada para casos de hemorragia grave, instabilidade hemodinâmica ou suspeita de outras patologias.
Os sintomas incluem dor pélvica unilateral, geralmente de início súbito e intensidade variável, que pode ser contínua ou em cólica. Pode haver leve sangramento vaginal irregular, mas frequentemente não há febre, náuseas ou vômitos, a menos que haja grande hemorragia.
A diferenciação é crucial. A prenhez ectópica cursa com atraso menstrual e teste de gravidez positivo (beta-hCG elevado), enquanto o corpo lúteo hemorrágico ocorre em ciclo menstrual regular e teste de gravidez negativo. Sinais de instabilidade hemodinâmica são mais comuns em prenhez ectópica rota.
O exame físico pode revelar dor à palpação anexial e, por vezes, uma massa. A ultrassonografia transvaginal é o método diagnóstico de escolha, mostrando uma massa cística complexa no ovário, com ecos internos sugestivos de sangue, e ausência de gestação intrauterina ou ectópica.
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