CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2020
Paciente usuário de lentes de contato gelatinosas, comparece ao pronto socorro queixando-se de irritação ocular e dor de moderada intensidade há duas horas. Analisando a fotografia abaixo obtida durante o exame, é possível considerar como hipótese mais provável:
Dor súbita + irritação em usuário de lente de contato → Sempre realizar eversão palpebral para excluir corpo estranho.
A queixa de dor aguda e irritação ocular em usuários de lentes de contato, associada a achados biomicroscópicos, frequentemente aponta para trauma por corpo estranho retido.
O manejo de urgências oftalmológicas em usuários de lentes de contato exige cautela redobrada devido ao risco aumentado de infecções por Pseudomonas aeruginosa e Acanthamoeba. A presença de dor de início súbito é um marcador clínico importante que diferencia causas mecânicas/traumáticas de processos infecciosos subagudos. A correta identificação de um corpo estranho evita tratamentos desnecessários para ceratites virais ou alérgicas. A educação do paciente sobre a higiene das lentes e a busca imediata por atendimento em caso de dor é um pilar da prevenção de cegueira por complicações corneanas.
Os sinais incluem a visualização direta do material (metálico, vegetal ou sintético), presença de 'tracks' (linhas de abrasão vertical na córnea causadas pelo movimento do corpo estranho sob a pálpebra) e hiperemia conjuntival localizada. Em usuários de lentes de contato, o corpo estranho pode ficar retido entre a lente e a córnea, causando dor intensa e erosões epiteliais rápidas.
A eversão palpebral permite inspecionar o fórnice superior e a conjuntiva tarsal, locais onde corpos estranhos pequenos frequentemente se alojam. Sem essa manobra, o agente causador permanece no olho, perpetuando a lesão corneana a cada piscada, o que pode evoluir para ceratite microbiana secundária, especialmente perigosa em usuários de lentes de contato.
Após a remoção (geralmente com agulha de calibre fino ou cotonete sob anestesia tópica), deve-se avaliar a extensão da lesão com fluoresceína. O tratamento envolve o uso de antibióticos tópicos profiláticos (como quinolonas de 4ª geração) e, em alguns casos, lubrificantes ou curativo oclusivo. O paciente deve ser orientado a suspender o uso de lentes de contato até a completa reepitelização.
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