FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024
Um menino de dois anos e seis meses de idade foi levado ao pronto atendimento com quadro de rinorreia purulenta há sete dias. Sua mãe negou febre. No exame físico, identificou‑se a presença de obstrução nasal esquerda, com saída de secreção mucopurulenta e fétida. Fossa nasal direita sem alterações. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável
Rinorreia purulenta, fétida e unilateral em criança → Suspeitar fortemente de corpo estranho nasal.
Em crianças, a presença de rinorreia purulenta, fétida e unilateral, sem febre, é altamente sugestiva de corpo estranho nasal. Outras condições como gripe ou rinossinusite viral geralmente cursam com sintomas bilaterais e, no caso da rinossinusite, pode haver febre.
Corpos estranhos nasais são ocorrências comuns na pediatria, especialmente em crianças pequenas (1 a 8 anos), que tendem a explorar o ambiente colocando objetos em orifícios corporais. Os objetos mais comuns incluem contas, sementes, pequenos brinquedos, pedaços de borracha e alimentos. A não identificação e remoção podem levar a complicações como rinossinusite, necrose septal e aspiração. A fisiopatologia envolve a irritação da mucosa nasal pelo objeto, levando à inflamação, edema e acúmulo de secreções. Com o tempo, a proliferação bacteriana resulta em rinorreia purulenta e fétida. A unilateralidade dos sintomas é a característica mais distintiva, pois a maioria das infecções virais e bacterianas do trato respiratório superior afeta ambas as narinas. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e no exame físico. A rinoscopia anterior é essencial para visualizar o corpo estranho. O tratamento consiste na remoção do objeto, que pode ser feita no pronto atendimento por um profissional treinado, utilizando técnicas como pinças, aspiração ou o "método do beijo da mãe". Em casos de difícil remoção ou objetos impactados, o encaminhamento ao otorrinolaringologista é indicado.
Os sinais clássicos incluem rinorreia unilateral (secreção nasal de um lado apenas), que é frequentemente purulenta e fétida, e obstrução nasal unilateral. A criança pode não relatar o evento, e a ausência de febre é comum.
A principal diferença é a unilateralidade dos sintomas: o corpo estranho causa rinorreia e obstrução em apenas uma narina, enquanto a rinossinusite viral ou bacteriana geralmente afeta ambas as narinas e pode vir acompanhada de febre e dor facial.
A conduta inicial é a inspeção cuidadosa da cavidade nasal (rinoscopia anterior) para visualizar o corpo estranho. A remoção deve ser tentada por um profissional experiente, utilizando pinças ou aspiração, ou encaminhamento a um otorrinolaringologista.
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