Corpo Estranho Nasal: Diagnóstico e Conduta em Pediatria

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026

Enunciado

Menina de 6 anos é trazida pela mãe ao ambulatório com rinorreia purulenta há 21 dias. Há 15 dias foi avaliada e prescrito soro nasal e amoxicilina. Terminou o tratamento e o quadro persiste. Ao exame físico está em bom estado geral, sem febre com presença de rinorreia purulenta e fétida na fossa nasal direita. Diagnóstico e conduta são:

Alternativas

  1. A) Corpo estranho, internar para iniciar antibiótico antes da remoção.
  2. B) Rinossinusite, introduzir amoxicilina com clavulanato.
  3. C) Rinossinusite, solicitar TC de seios da face.
  4. D) Corpo estranho, retirar da fossa nasal.

Pérola Clínica

Rinorreia unilateral fétida em criança = Corpo Estranho até que se prove o contrário.

Resumo-Chave

A persistência de sintomas após antibioticoterapia para rinossinusite, associada à unilateralidade e odor fétido, é patognomônica de corpo estranho nasal.

Contexto Educacional

O corpo estranho nasal é uma emergência otorrinolaringológica comum na faixa etária pediátrica, especialmente entre 2 e 5 anos. A apresentação clínica costuma ser tardia, quando o objeto causa necrose de pressão da mucosa e infecção secundária, resultando na tríade de rinorreia unilateral, fetidez e obstrução. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história e na rinoscopia anterior. É fundamental diferenciar essa condição da rinossinusite bacteriana, que geralmente apresenta sintomas bilaterais e sistêmicos. A conduta é a remoção imediata, pois a permanência do objeto pode levar a complicações graves como aspiração para a via aérea inferior, formação de rinólitos ou perfuração do septo nasal. O uso de antibióticos só é indicado se houver celulite ou infecção disseminada associada.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clássicos de corpo estranho nasal?

O sinal mais característico é a rinorreia unilateral, purulenta e com odor fétido (cacosmia). Muitas vezes, a criança pode apresentar obstrução nasal ipsilateral e epistaxe ocasional. Diferente da rinossinusite viral ou bacteriana comum, que costuma ser bilateral, a unilateralidade é o principal alerta clínico para a presença de um objeto estranho na cavidade nasal.

Por que o tratamento com antibióticos falha nesses casos?

O antibiótico pode tratar a infecção secundária (rinossinusite reacional) causada pela estase de secreções ao redor do objeto, mas não remove a causa mecânica. Enquanto o corpo estranho permanecer, a inflamação e a colonização bacteriana persistirão, levando à recorrência imediata dos sintomas após a suspensão da medicação.

Qual a técnica recomendada para remoção?

A remoção depende da natureza do objeto e da colaboração da criança. Pode-se tentar a técnica do 'beijo da mãe' (pressão positiva pela boca) ou o uso de pinças de Hartmann, ganchos rombos ou cateteres de sucção sob visualização direta. Em casos de objetos lisos ou muito posteriores, pode ser necessária a sedação em ambiente hospitalar para evitar aspiração.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo