CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Menina de 6 anos é trazida pela mãe ao ambulatório com rinorreia purulenta há 21 dias. Há 15 dias foi avaliada e prescrito soro nasal e amoxicilina. Terminou o tratamento e o quadro persiste. Ao exame físico está em bom estado geral, sem febre com presença de rinorreia purulenta e fétida na fossa nasal direita. Diagnóstico e conduta são:
Rinorreia unilateral fétida em criança = Corpo Estranho até que se prove o contrário.
A persistência de sintomas após antibioticoterapia para rinossinusite, associada à unilateralidade e odor fétido, é patognomônica de corpo estranho nasal.
O corpo estranho nasal é uma emergência otorrinolaringológica comum na faixa etária pediátrica, especialmente entre 2 e 5 anos. A apresentação clínica costuma ser tardia, quando o objeto causa necrose de pressão da mucosa e infecção secundária, resultando na tríade de rinorreia unilateral, fetidez e obstrução. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história e na rinoscopia anterior. É fundamental diferenciar essa condição da rinossinusite bacteriana, que geralmente apresenta sintomas bilaterais e sistêmicos. A conduta é a remoção imediata, pois a permanência do objeto pode levar a complicações graves como aspiração para a via aérea inferior, formação de rinólitos ou perfuração do septo nasal. O uso de antibióticos só é indicado se houver celulite ou infecção disseminada associada.
O sinal mais característico é a rinorreia unilateral, purulenta e com odor fétido (cacosmia). Muitas vezes, a criança pode apresentar obstrução nasal ipsilateral e epistaxe ocasional. Diferente da rinossinusite viral ou bacteriana comum, que costuma ser bilateral, a unilateralidade é o principal alerta clínico para a presença de um objeto estranho na cavidade nasal.
O antibiótico pode tratar a infecção secundária (rinossinusite reacional) causada pela estase de secreções ao redor do objeto, mas não remove a causa mecânica. Enquanto o corpo estranho permanecer, a inflamação e a colonização bacteriana persistirão, levando à recorrência imediata dos sintomas após a suspensão da medicação.
A remoção depende da natureza do objeto e da colaboração da criança. Pode-se tentar a técnica do 'beijo da mãe' (pressão positiva pela boca) ou o uso de pinças de Hartmann, ganchos rombos ou cateteres de sucção sob visualização direta. Em casos de objetos lisos ou muito posteriores, pode ser necessária a sedação em ambiente hospitalar para evitar aspiração.
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