CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Paciente refere sensação de corpo estranho no olho direito enquanto andava de moto sem capacete. Ao exame apresenta acuidade visual de conta dedos, hiperemia conjuntival intensa, sem hipópio, parede do globo ocular aparentemente íntegra e presença de pequeno corpo estranho aderido à retina inferior, sem outros achados. A melhor conduta neste momento é a realização de
Corpo estranho intraocular + Baixa visão → TC de órbitas + Vitrectomia imediata.
Corpos estranhos intraoculares exigem localização precisa por TC (evitar RM se metálico) e remoção cirúrgica urgente para prevenir endoftalmite e toxicidade.
O manejo do trauma ocular com corpo estranho intraocular (CEIO) é uma das maiores urgências na oftalmologia. A história clínica (ex: uso de martelo, acidente de moto sem proteção) é fundamental para suspeitar da presença de fragmentos, mesmo quando a ferida de entrada é pequena ou auto-selante. A abordagem diagnóstica deve ser rápida, priorizando a TC para localização espacial. O tratamento definitivo quase sempre envolve a vitrectomia via pars plana (VVPP), que permite a remoção controlada do objeto, tratamento de possíveis roturas retinianas e limpeza de debris inflamatórios ou hemáticos, minimizando as sequelas visuais a longo prazo.
A Tomografia Computadorizada (TC) de órbitas com cortes finos é o padrão-ouro para detectar corpos estranhos intraoculares (CEIO). Ela permite identificar a localização, o tamanho e a composição (metálico vs. não metálico) do objeto sem os riscos da Ressonância Magnética, que é contraindicada se houver qualquer suspeita de fragmento metálico devido ao campo magnético.
A vitrectomia posterior deve ser realizada o mais brevemente possível. A urgência se deve ao alto risco de endoftalmite infecciosa (especialmente com corpos estranhos orgânicos ou contaminados) e ao risco de toxicidade química (como siderose por ferro ou calcose por cobre), que podem causar danos irreversíveis à retina.
Adiar a remoção de um corpo estranho intraocular aumenta exponencialmente o risco de proliferação vitreorretiniana (PVR), descolamento de retina, inflamação crônica e infecção intraocular devastadora. Além disso, fragmentos metálicos podem se oxidar, liberando íons tóxicos que destroem as camadas neurossensoriais da retina.
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