Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Paciente feminina, 36 anos, previamente hígida, apresenta dor abdominal difusa há 48 horas, associada a náusea, sem vômitos ou febre. Ao exame físico, geral não há sinais de sepse e apresenta dor à palpação no quadrante superior direito, sem sinais de irritação peritoneal. A tomografia de abdome (imagem abaixo) revela imagem hiperdensa linear compatível com corpo estranho na extremidade distal da porção ascendente do duodeno. A paciente nega ingestão intencional de objetos. A conduta mais apropriada, dentre as abaixo, neste caso é:
Corpo estranho sintomático ou pontiagudo em duodeno → Endoscopia Digestiva Alta (EDA) para remoção.
Objetos localizados no duodeno que causam sintomas ou possuem risco de perfuração (lineares/pontiagudos) devem ser abordados via endoscopia antes de considerar cirurgia.
A ingestão de corpos estranhos é uma ocorrência comum na emergência, sendo a maioria eliminada espontaneamente. Contudo, objetos impactados no duodeno representam um desafio técnico. A anatomia do duodeno, com suas flexuras agudas, favorece a impactação de objetos lineares e rígidos. A tomografia computadorizada é o padrão-ouro para localização e identificação de complicações. O tratamento de escolha para objetos acessíveis e sintomáticos é a endoscopia, que minimiza a morbidade em comparação à cirurgia aberta. O acompanhamento radiográfico seriado pode ser uma opção apenas para objetos pequenos, rombos e em pacientes assintomáticos.
A remoção imediata (emergência) é indicada para objetos pontiagudos ou cortantes no esôfago, baterias de disco no esôfago, ou qualquer objeto que cause obstrução esofágica completa (sialorreia). No estômago ou duodeno, objetos pontiagudos, imãs múltiplos e baterias de disco (se sintomáticas) também devem ser removidos prontamente devido ao risco de perfuração ou lesão cáustica.
Corpos estranhos que ultrapassam o piloro e chegam ao duodeno geralmente progridem pelo restante do trato gastrointestinal. No entanto, se o objeto for longo (>6-10 cm), pontiagudo ou se o paciente apresentar sintomas (dor, náuseas), a remoção endoscópica é indicada. O duodeno ascendente ainda é acessível por endoscopia digestiva alta ou enteroscopia, dependendo da localização exata.
A intervenção cirúrgica (laparotomia ou laparoscopia) é reservada para casos onde houve falha na remoção endoscópica, quando o objeto está além do alcance do endoscópio e não progride, ou na presença de complicações como perfuração, obstrução intestinal persistente ou hemorragia incontrolável.
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