Corpo Estranho Esofágico em Crianças: Conduta Urgente

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menina, de 4 anos de idade, é levada ao pronto-socorro após ter sido vista engolindo um objeto metálico não identificado enquanto brincava. A radiografia de tórax e abdome revela um corpo estranho de 27mm de diâmetro no esôfago médio sugerindo ser uma moeda ou bateria, porém sem sinais de complicações. A criança está assintomática, com sinais vitais normais e exame físico sem alterações. O histórico clínico revela que ela já foi submetida a uma piloromiotomia. Qual é a conduta inicial correta?

Alternativas

  1. A) Monitorar clinicamente a eliminação espontânea do objeto com radiografias seriadas e orientação para o cuidador observar as fezes.
  2. B) Realizar endoscopia digestiva alta em caráter urgente, dentro de 2 horas, para remoção do corpo estranho e avaliar o esôfago.
  3. C) Solicitar uma tomografia computadorizada abdominal para melhor caracterização do objeto e avaliar perfuração.
  4. D) Aguardar de 12 a 24 horas para realizar endoscopia digestiva alta, desde que a criança permaneça assintomática.

Pérola Clínica

Corpo estranho esofágico em criança, mesmo assintomático, especialmente bateria → EDA urgente (<2h) para remoção e avaliação de lesão.

Resumo-Chave

Corpos estranhos impactados no esôfago de crianças, como moedas ou baterias, são sempre uma emergência. Mesmo que a criança esteja assintomática, a presença de um objeto no esôfago médio exige remoção urgente por endoscopia digestiva alta (idealmente em até 2 horas), devido ao risco de complicações graves como perfuração, necrose ou estenose, especialmente se for uma bateria, que pode causar lesões cáusticas rapidamente.

Contexto Educacional

A ingestão de corpos estranhos é uma ocorrência comum na pediatria, e o esôfago é um dos locais mais frequentes de impactação. A gravidade da situação depende do tipo de objeto, sua localização e do tempo de impactação. Baterias de botão são particularmente perigosas devido ao risco de lesão cáustica por liquefação, que pode ocorrer em poucas horas, mesmo em crianças assintomáticas. A radiografia de tórax e abdome é o exame inicial para localizar o objeto e identificar seu tipo (moeda vs. bateria). Um corpo estranho impactado no esôfago, especialmente uma bateria, é uma emergência médica que requer intervenção imediata. Mesmo que a criança esteja assintomática, a conduta correta é a remoção urgente por endoscopia digestiva alta, idealmente dentro de 2 horas. A história de piloromiotomia, embora não diretamente relacionada à conduta imediata para corpo estranho esofágico, indica uma história cirúrgica prévia que pode influenciar a avaliação geral do paciente, mas não altera a urgência da remoção esofágica. O objetivo da endoscopia é não apenas remover o objeto, mas também avaliar a extensão da lesão na mucosa esofágica. A conduta expectante ou o atraso na remoção podem levar a complicações graves como perfuração, mediastinite, fístula traqueoesofágica e estenose esofágica, com alta morbidade e mortalidade. Após a remoção, o acompanhamento é essencial, especialmente em casos de lesão significativa, para monitorar e tratar possíveis estenoses.

Perguntas Frequentes

Por que a remoção de um corpo estranho esofágico em criança é considerada uma urgência, mesmo se assintomática?

Corpos estranhos impactados no esôfago podem causar lesão tecidual progressiva, mesmo na ausência de sintomas. Baterias de botão, em particular, podem causar necrose por liquefação em poucas horas devido à liberação de hidróxido, perfuração e estenose, exigindo remoção imediata.

Qual o tempo ideal para a realização da endoscopia digestiva alta em casos de corpo estranho esofágico?

Para corpos estranhos impactados no esôfago, especialmente baterias, a endoscopia digestiva alta deve ser realizada em caráter de urgência, idealmente dentro de 2 horas. Para outros objetos que não causam obstrução completa ou não são cáusticos, o prazo pode ser estendido para 6-24 horas, mas nunca deve ser postergado indefinidamente.

Quais são as complicações mais graves da ingestão de corpo estranho esofágico em crianças?

As complicações incluem perfuração esofágica, mediastinite, fístula traqueoesofágica, estenose esofágica, abscesso e sangramento. Baterias podem causar lesões cáusticas graves e necrose em um curto período, com risco de morte.

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