Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020
Paciente de 24 anos, sexo feminino, acidente automobilístico há 12 horas (colisão frontal com objeto parado; paciente condutora com cinto de segurança), apresentando trauma facial importante, com fratura de maxilar superior, nasal e frontal. Como apresentava edema importante na língua e nos lábios, foi traqueostomizada após exclusão de lesões mais graves e encaminhada à UTI. Lá, radiografia de tórax mostrava hipotransparência à direita, apagando o contorno do átrio direito, com imagem radiopaca hilar direita. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que corresponde ao diagnóstico MAIS PROVÁVEL seguido da justificativa da imagem radiográfica.
Trauma facial + traqueostomia + hipotransparência pulmonar + imagem hilar → Corpo estranho endobrônquico, atelectasia.
Em um paciente com trauma facial grave e traqueostomia, a presença de hipotransparência pulmonar e imagem hilar radiopaca sugere obstrução brônquica por corpo estranho (como fragmentos dentários, sangue coagulado ou secreção). O apagamento do contorno do átrio direito é um sinal clássico de atelectasia do lobo médio.
Pacientes vítimas de trauma facial grave, especialmente em colisões frontais, estão em alto risco de comprometimento da via aérea devido a fraturas ósseas, edema de tecidos moles (língua, lábios) e sangramento. A traqueostomia é um procedimento vital nesses casos para assegurar uma via aérea definitiva e proteger contra aspiração. No entanto, a manipulação da via aérea e o próprio trauma podem levar a complicações pulmonares. A radiografia de tórax é uma ferramenta essencial na avaliação desses pacientes. A hipotransparência à direita, apagando o contorno do átrio direito, é um achado clássico do 'sinal da silhueta' que indica consolidação ou atelectasia do lobo médio direito. A imagem radiopaca hilar direita, nesse contexto, sugere uma obstrução brônquica no óstio do lobo médio. A causa mais provável em um paciente traumatizado com via aérea manipulada é um corpo estranho endobrônquico, como coágulos sanguíneos, fragmentos dentários ou secreções espessas, que podem ocluir um brônquio. O diagnóstico diferencial inclui contusão pulmonar, derrame pleural ou pneumonia aspirativa, mas a combinação específica de achados radiográficos e o histórico de trauma facial com comprometimento da via aérea direcionam para a obstrução brônquica. A identificação precoce e a remoção do corpo estranho, geralmente por broncoscopia, são cruciais para reverter a atelectasia e prevenir complicações como infecções e insuficiência respiratória.
O apagamento do contorno do átrio direito, também conhecido como sinal da silhueta, indica que uma estrutura adjacente (neste caso, o lobo médio do pulmão direito) perdeu sua aeração e está em contato direto com o coração, resultando em perda da interface radiográfica.
Em pacientes traumatizados, corpos estranhos endobrônquicos podem incluir fragmentos dentários, coágulos sanguíneos, secreções espessas, fragmentos de tecido mole ou mesmo partes de tubos endotraqueais ou cânulas de traqueostomia.
A traqueostomia é frequentemente realizada em trauma facial grave para garantir a patência da via aérea, especialmente quando há edema significativo, fraturas complexas ou risco de obstrução, prevenindo asfixia e facilitando a ventilação.
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