INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Um homem com 20 anos de idade chegou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), relatando que foi acordado durante a noite por fortes zumbidos no ouvido esquerdo. O paciente encontra-se bastante nervoso e agitado, dizendo a todo momento que o inseto está vivo, movimentando-se dentro do seu ouvido. Refere, ainda, que, antes de vir para a UPA, tentou retirar o mesmo com uma tampa de caneta, mas não obteve sucesso. Considerando essa situação, qual é a conduta adequada nesse caso?
Inseto vivo no ouvido → Matar primeiro (álcool/óleo/lidocaína) → Remover depois.
A prioridade em casos de insetos vivos no conduto auditivo é a imobilização ou morte do animal com substâncias líquidas para cessar a dor e o risco de trauma timpânico antes da remoção.
O manejo de corpos estranhos animados no ouvido é uma urgência comum em prontos-socorros. O quadro clínico é dramático, com o paciente relatando ruídos intensos e dor lancinante devido à movimentação do inseto contra o tímpano. O primeiro passo é o controle da dor e da agitação, alcançado pela morte imediata do inseto através da instilação de líquidos no conduto. Após a imobilização do animal, a remoção pode ser feita por lavagem otológica (se o tímpano estiver íntegro) ou por visualização direta com otoscópio e uso de micro-instrumentos (pinças jacaré ou ganchos). É fundamental inspecionar o conduto e a membrana timpânica após a remoção para descartar lesões secundárias ou a presença de partes remanescentes do inseto, que poderiam causar uma otite externa inflamatória severa.
Tentar agarrar um inseto vivo com uma pinça dentro do estreito conduto auditivo é perigoso. O inseto, ao se sentir ameaçado, tende a se movimentar mais agressivamente, podendo avançar contra a membrana timpânica e causar perfurações ou lesões na cadeia ossicular. Além disso, as garras ou mandíbulas do inseto podem ferir a pele sensível do conduto, causando sangramento e edema, o que dificulta ainda mais a visualização e a remoção posterior.
Substâncias líquidas que interrompem a respiração do inseto ou o atordoam são ideais. Álcool (como álcool 70% ou isopropílico), éter, óleo mineral, vaselina líquida ou lidocaína tópica são opções comuns. O álcool e o éter têm a vantagem de agir rapidamente, mas podem causar ardência se houver lacerações no conduto. O óleo mineral é seguro e eficaz para sufocar o inseto, facilitando também o deslizamento do corpo estranho durante a remoção.
A irrigação (lavagem) não deve ser realizada se houver suspeita de perfuração da membrana timpânica, história prévia de cirurgia otológica ou se o corpo estranho for de natureza higroscópica (que expande com água, como sementes de feijão ou milho). No caso de insetos, a irrigação só deve ser feita após garantir que o animal está morto, para evitar que a pressão da água o empurre contra o tímpano enquanto ele ainda se move.
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