CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Com relação aos depósitos na córnea de pacientes que fazem uso sistêmico de cloroquina, é correto afirmar:
Córnea verticillata por cloroquina é epitelial, dose-dependente e mais comum com difosfato que hidroxicloroquina.
Depósitos corneanos (córnea verticillata) são comuns no uso de antimaláricos, sendo mais frequentes com a cloroquina e raramente causam perda visual significativa.
O uso de antimaláricos na reumatologia e dermatologia exige acompanhamento oftalmológico rigoroso. A diferenciação entre o difosfato de cloroquina e a hidroxicloroquina é crucial, pois a última apresenta um perfil de segurança ocular superior. A córnea verticillata, além de drogas, pode ser sinal da Doença de Fabry, mas no contexto medicamentoso, sua progressão é dose-dependente e a regressão ocorre meses após a cessação do tratamento, sem deixar sequelas permanentes na transparência corneana.
A córnea verticillata é uma ceratopatia caracterizada por depósitos amarelados ou acinzentados no epitélio basal da córnea, que se organizam em um padrão espiralado ou em 'bigode de gato'. No contexto do uso sistêmico de antimaláricos como a cloroquina e a hidroxicloroquina, esses depósitos resultam do acúmulo da droga nos lisossomos das células epiteliais. Geralmente são assintomáticos, mas podem causar queixas de halos ou visão borrada em casos severos.
O difosfato de cloroquina possui uma afinidade maior pelos tecidos oculares e uma taxa de excreção mais lenta em comparação com a hidroxicloroquina. Estudos clínicos demonstram que a incidência de córnea verticillata é significativamente maior em pacientes utilizando cloroquina (chegando a quase 100% em uso prolongado) do que naqueles em uso de hidroxicloroquina, onde o achado é menos frequente e muitas vezes ausente mesmo em doses terapêuticas.
Não necessariamente. Embora ambos sejam efeitos colaterais do uso de antimaláricos, a córnea verticillata não é um preditor direto de maculopatia tóxica. Os depósitos corneanos são reversíveis com a interrupção da droga e raramente afetam a acuidade visual de forma grave. Já a toxicidade retiniana é irreversível e potencialmente devastadora. Portanto, a observação de depósitos na córnea deve motivar um exame de fundo de olho e testes funcionais (campo visual, OCT) rigorosos, mas não é indicação absoluta de suspensão do fármaco.
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