CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Qual das drogas abaixo de uso sistêmico pode estar comumente relacionada ao desenvolvimento da córnea verticillata, caracterizada por opacidades epiteliais lineares, de coloração variada (do branco ao marrom) e que podem assumir formato espiral ou de redemoinho?
Córnea verticillata = Uso de Amiodarona ou Cloroquina (ou Doença de Fabry).
Depósitos epiteliais em redemoinho (verticillata) resultam do acúmulo de complexos lipídicos induzidos por drogas anfifílicas ou deficiências enzimáticas lisossomais.
A córnea verticillata é uma manifestação de ceratopatia epitelial caracterizada por depósitos lineares acinzentados ou acastanhados. Do ponto de vista fisiopatológico, drogas como a amiodarona são anfifílicas e ligam-se a lipídios polares, formando complexos que não podem ser degradados pelas fosfolipases lisossomais, levando à sua acumulação. Na prática clínica, a identificação desses depósitos serve como um marcador de exposição sistêmica à droga. No caso da cloroquina, a presença de verticillata não está diretamente correlacionada com a gravidade da retinopatia tóxica, mas indica que o fármaco está atingindo níveis teciduais significativos. O exame oftalmológico periódico é essencial para diferenciar alterações benignas corneanas de toxicidades retinianas ou ópticas graves.
O padrão em redemoinho (ou espiral) ocorre devido ao acúmulo de depósitos de lipofuscina ou complexos droga-lipídio no epitélio basal da córnea. Esses depósitos seguem as linhas de migração e renovação das células epiteliais corneanas, que se movem da periferia em direção ao centro em um movimento centrípeto e espiralado, resultando na morfologia característica observada à lâmpada de fenda.
Embora quase todos os pacientes em uso crônico de amiodarona desenvolvam córnea verticillata, ela raramente causa sintomas visuais significativos. Alguns pacientes podem relatar halos coloridos ao redor das luzes, mas a acuidade visual costuma ser preservada. O maior risco ocular da amiodarona é, na verdade, a neuropatia óptica tóxica/isquêmica, que é rara, mas potencialmente grave e exige monitoramento.
Além da amiodarona e dos antimaláricos (cloroquina e hidroxicloroquina), a córnea verticillata é um sinal patognomônico da Doença de Fabry, uma desordem genética de armazenamento lisossomal (deficiência de alfa-galactosidase A). Outras drogas menos comuns incluem a indometacina, fenotiazinas e tamoxifeno. A distinção entre causa medicamentosa e genética é feita pela história clínica e triagem metabólica se necessário.
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