CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2011
São características da córnea verticilata:
Córnea verticilata = Depósitos epiteliais bilaterais em padrão espiral por drogas sistêmicas.
A córnea verticilata é uma alteração benigna caracterizada por depósitos no epitélio basal da córnea, geralmente associada ao uso crônico de amiodarona ou cloroquina.
A córnea verticilata, também conhecida como ceratopatia em vórtex, manifesta-se como depósitos acastanhados ou amarelados no terço inferior do epitélio corneano, formando um padrão de linhas que irradiam de um ponto central (espiral). Histologicamente, esses depósitos representam inclusões lipídicas intracelulares nos ceratócitos e células epiteliais. Embora o diagnóstico diferencial inclua a Doença de Fabry, a vasta maioria dos casos na prática clínica é secundária ao uso de fármacos anfifílicos catiônicos, como a amiodarona. O reconhecimento dessa condição é importante para o clínico, pois serve como marcador de exposição sistêmica prolongada a essas drogas, embora raramente demande intervenção oftalmológica específica.
Os principais agentes são a amiodarona (antiarrítmico), cloroquina e hidroxicloroquina (antimaláricos/reumatológicos), indometacina e tamoxifeno. O aparecimento é dose e tempo-dependente.
Geralmente, a córnea verticilata é assintomática e não causa redução significativa da acuidade visual. Em casos severos, o paciente pode relatar halos coloridos ao redor das luzes, mas raramente exige a interrupção da medicação por motivos visuais.
A Doença de Fabry, um distúrbio de depósito lisossômico ligado ao X, é a principal causa não medicamentosa de córnea verticilata, sendo muitas vezes o primeiro sinal clínico da doença em portadores e mulheres heterozigotas.
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