CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Na coriorretinopatia serosa central, uma queixa comum é a micropsia. Este sintoma provavelmente é devido a:
CSC → Fluido sub-retiniano → Afastamento de fotorreceptores → Micropsia.
A micropsia na coriorretinopatia serosa central ocorre porque o fluido sub-retiniano afasta fisicamente os fotorreceptores, fazendo com que uma imagem projete-se em menos células, sendo interpretada pelo cérebro como menor.
A coriorretinopatia serosa central (CSC) é uma condição caracterizada pelo descolamento seroso da retina sensorial, frequentemente associado a um ou mais pontos de vazamento no epitélio pigmentado da retina (EPR). É mais comum em homens jovens e de meia-idade, muitas vezes associada ao estresse ou uso de corticosteroides. A fisiopatologia envolve hiperpermeabilidade da coroide, que leva ao acúmulo de fluido. Clinicamente, o paciente queixa-se de escotoma central relativo, visão borrada, metamorfopsia e micropsia. A compreensão da micropsia é fundamental para o raciocínio clínico: o fluido eleva a retina, aumentando a distância inter-fotorreceptores. Como o cérebro mapeia cada fotorreceptor a um ponto específico do espaço visual, o aumento da distância entre eles resulta em uma amostragem espacial menos densa da imagem, gerando a ilusão de redução de tamanho.
A micropsia é causada pelo acúmulo de fluido seroso no espaço sub-retiniano, especificamente na região macular. Esse fluido provoca um descolamento sensorial da retina, o que leva ao afastamento físico entre os fotorreceptores (cones e bastonetes). Quando os fotorreceptores estão mais distantes uns dos outros, uma imagem de tamanho padrão estimula um número menor de células receptoras do que o normal. O sistema visual central interpreta essa estimulação reduzida como se o objeto visualizado fosse menor do que sua dimensão real, resultando no sintoma clínico de micropsia.
Embora ambos sejam sintomas de disfunção macular, eles possuem mecanismos distintos. A micropsia refere-se especificamente à percepção de objetos como sendo menores do que realmente são, devido ao aumento do espaçamento entre os fotorreceptores. Já a metamorfopsia é a percepção de linhas retas como tortuosas ou onduladas, causada pelo desalinhamento ou inclinação dos fotorreceptores devido ao relevo irregular do fluido sub-retiniano ou descolamentos do epitélio pigmentado da retina (EPR). Na prática clínica da coriorretinopatia serosa central, é comum que o paciente apresente ambos os sintomas simultaneamente.
O diagnóstico diferencial deve incluir outras patologias que afetam a arquitetura macular. Além da coriorretinopatia serosa central, a micropsia pode ocorrer em buracos maculares em estágio inicial, membranas epirretinianas (embora estas frequentemente causem macropsia por compressão dos fotorreceptores) e descolamentos de retina localizados. Além das causas oculares, causas neurológicas como a 'Síndrome de Alice no País das Maravilhas' ou enxaquecas com aura devem ser consideradas se o exame oftalmológico for normal. A tomografia de coerência óptica (OCT) é o padrão-ouro para confirmar a presença de fluido sub-retiniano na CSC.
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