Coriorretinopatia Serosa Central: Achados na Indocianina Verde

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

O exame com o corante indocianina verde na coriorretinopatia serosa central evidencia, geralmente:

Alternativas

  1. A) Áreas hipofluorescentes, que aumentam em área ao longo do exame, correspondentes ao observado na angiofluoresceinografia.
  2. B) Hiperfluorescência nas fases intermediárias, por hiperpermeabilidade da coroide.
  3. C) Pequenas dilatações saculares nas fases iniciais do exame, com extravasamento do contraste.
  4. D) Placa hiperfluorescente, bem delimitada, sempre na região do ponto ele extravasamento.

Pérola Clínica

CSC na indocianina verde → Hiperfluorescência intermediária por hiperpermeabilidade da coroide.

Resumo-Chave

A indocianina verde (ICG) é superior à angiofluoresceína para avaliar a coroide, revelando áreas de hiperpermeabilidade vascular que são fundamentais na fisiopatologia da CSC.

Contexto Educacional

A Coriorretinopatia Serosa Central (CSC) é uma das principais causas de baixa visual central em adultos jovens e de meia-idade, frequentemente associada ao estresse e altos níveis de cortisol. O entendimento da sua fisiopatologia evoluiu drasticamente com o advento da indocianina verde e do OCT de fonte varrida (SS-OCT), consolidando a teoria de que a CSC faz parte do espectro das doenças da paquicoroide. Clinicamente, o diagnóstico é sugerido pelo descolamento seroso macular. A indocianina verde é uma ferramenta diagnóstica avançada que utiliza um corante com pico de absorção e emissão no infravermelho próximo, permitindo atravessar o EPR e visualizar a coroide. O achado de hiperpermeabilidade coroidiana é o marcador patognomônico no exame, diferenciando-a de outras maculopatias exsudativas e sendo essencial para o planejamento terapêutico em casos refratários.

Perguntas Frequentes

Qual a principal indicação da indocianina verde na CSC?

A indocianina verde (ICG) é indicada na Coriorretinopatia Serosa Central (CSC) para identificar áreas de hiperpermeabilidade da coroide que podem não ser visíveis na angiofluoresceinografia convencional. Enquanto a fluoresceína avalia melhor a integridade da barreira hematorretiniana externa (EPR), a ICG possui propriedades farmacocinéticas que permitem a visualização da circulação coroidiana através do pigmento e de exsudatos. Isso é crucial em casos crônicos ou recorrentes, onde a identificação de zonas de congestão vascular coroidiana pode guiar tratamentos específicos, como a terapia fotodinâmica (PDT) com dose reduzida, focando exatamente nas áreas de maior disfunção vascular profunda.

Como diferenciar CSC aguda de crônica na imagem?

Na fase aguda da CSC, a angiofluoresceinografia geralmente mostra o clássico ponto de vazamento em 'fumaça de chaminé' ou 'mancha de tinta'. Já na CSC crônica (ou epiteliopatia pigmentar retiniana difusa), os achados são mais sutis, com áreas de atrofia do EPR e múltiplos pontos de vazamento inespecíficos. A indocianina verde desempenha um papel fundamental na forma crônica ao demonstrar que, apesar da aparência multifocal no EPR, existe uma hiperpermeabilidade coroidiana difusa subjacente. O OCT (Tomografia de Coerência Óptica) complementa o diagnóstico mostrando o descolamento seroso da retina neurossensorial e, frequentemente, um aumento da espessura coroidiana (paquicoroide).

Por que ocorre hiperfluorescência na fase intermediária do exame de ICG?

A hiperfluorescência nas fases intermediárias do exame de indocianina verde na CSC ocorre devido ao extravasamento do corante a partir dos vasos da coriocapilar que apresentam hiperpermeabilidade. Diferente da fluoresceína, a indocianina liga-se fortemente às proteínas plasmáticas e permanece mais tempo dentro dos vasos fenestrados da coroide, mas em áreas patológicas de estase venosa e congestão, ela extravasa para o estroma coroidiano. Esse fenômeno reflete a fisiopatologia primária da doença: uma disfunção vascular da coroide que gera um aumento da pressão hidrostática tecidual, levando secundariamente a descompensação do epitélio pigmentado da retina e acúmulo de fluido sub-retiniano.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo