CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
Das afecções abaixo, qual pode ser agravada pelo uso de corticoesteroides?
Corticoide → ↑ risco e agravamento de Coriorretinopatia Serosa Central (CSC).
O uso de corticoides (sistêmicos, tópicos ou inalatórios) é o principal fator de risco exógeno para CSC, podendo causar ou exacerbar o descolamento seroso da retina.
A Coriorretinopatia Serosa Central (CSC) é caracterizada por um descolamento seroso da retina neurossensorial na região macular, frequentemente associado a um descolamento do epitélio pigmentado. É mais comum em homens jovens e de meia-idade com perfil de personalidade tipo A. A fisiopatologia envolve hiperpermeabilidade dos vasos da coróide. O uso de corticosteroides é o fator de risco mais fortemente associado, pois exacerba essa disfunção vascular. Diferente de outras afecções retinianas como o edema macular cistoide, onde o corticoide é terapêutico, na CSC ele é um agente causal ou agravante.
O mecanismo exato não é totalmente compreendido, mas acredita-se que os corticosteroides aumentem a permeabilidade e a fragilidade dos vasos da coróide, além de interferirem na função de barreira do epitélio pigmentado da retina (EPR), facilitando o acúmulo de fluido sub-retiniano.
Todas as vias de administração representam risco: oral, intravenosa, intramuscular, tópica ocular, spray nasal, inalatória e até cremes dermatológicos. Qualquer exposição a glicocorticoides pode desencadear ou perpetuar um episódio de CSC.
A primeira medida é a suspensão de qualquer corticoterapia em curso, se clinicamente possível. A maioria dos casos agudos resolve-se espontaneamente em 3 a 4 meses. Casos crônicos ou recorrentes podem exigir laser focal, terapia fotodinâmica ou antagonistas de receptores mineralocorticoides.
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